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Segurança da caravana do ex-presidente Lula agride repórter de "O Globo"

Questionado sobre a agressão, a assessoria do ex-presidente informou que Lula repudia qualquer ato de violência e que vai apurar o ocorrido

20:10 | 26/03/2018

Equipe de segurança da caravana do ex-presidente Lula (PT) pelo sul do País agrediu o repórter Sérgio Roxo, do jornal O Globo, no aeroporto de Francisco Beltrão (PR), nesta segunda-feira, 26, durante embarque do petista para Foz do Iguaçu (PR), para outro ato. O Exército, que também formava segurança pessoal de Lula, separou o agressor, sem conseguir identificá-lo. Assessoria do ex-presidente informou que Lula repudia qualquer ato de violência e que vai apurar o ocorrido.

A agressão aconteceu na área externa do aeroporto, quando o repórter tentava filmar, com aparelho celular, os seguranças de Lula agredindo a chutes outros dois manifestantes anti-PT, que estavam no local participando de ato contrário ao petista. Conforme O Globo, um dos manifestantes havia sido parado pela segurança enquanto circulava de moto, sendo requisitada documentação e celular para saber se participava de organização do ato contra Lula.

Um dos seguranças que se engajaram na agressão se identificou como parte do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança de ex-presidentes da República, durante ordem para que o repórter parasse de filmar os chutes nos manifestantes. Em seguida, outro segurança ordenou que o vídeo fosse apagado do celular e, com a recusa, desferiu um soco na orelha esquerda do repórter.

Logo chegaram manifestantes anti-Lula que, após agressão, provocaram os seguranças, mas foram impedidos pela Polícia Militar, que os escoltou para fora do local.

Um dos coordenadores da caravana, o ex-deputado Paulo Frasteschi presenciou a agressão. “Vocês (jornalistas) só querem nos atacar”, disse, após repórter ser agredido.

Segundo o Estadão, o mesmo segurança que agrediu o repórter ainda abordou um carro de outro manifestante e arrancou o motorista do veículo a tapas e empurrões. No veículo, tinham quatro pneus e uma garrafa de querosene.

Questionado sobre a agressão, a assessoria do ex-presidente informou que Lula repudia qualquer ato de violência e que vai apurar o ocorrido. 

Bloqueio durante percurso por Francisco Beltrão

Dezenas de pessoas usaram carros e caminhões para fechar o trânsito nas duas entradas de Francisco Beltrão ainda no início da manhã. A comitiva do ex-presidente pernoitou em São Miguel do Oeste (SC), de onde saiu com mais de uma hora de atraso por conta de duas entrevistas concedidas por Lula a uma rádio de Curitiba e uma TV da Argentina.

Alertados sobre o bloqueio, os organizadores da caravana fizeram uma parada não planejada de quase uma hora poucos quilômetros depois da divisa entre Santa Catarina e Paraná. A imprensa foi impedida de chegar perto do ônibus do ex-presidente. Lula e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, foram transferidos para um carro de passeio que os levaram até a praça central de Francisco Beltrão, onde participaram de um ato em defesa da reforma agrária.

O restante da comitiva seguiu de ônibus até a entrada da cidade. Dois ônibus carregavam dezenas de militantes petistas. Eles foram incorporados à caravana com o objetivo de formarem uma espécie de escolta para Lula. Na entrada de Francisco Beltrão, os militantes foram levados até um ponto próximo do bloqueio, onde fizeram uma manifestação a favor do ex-presidente.

O trânsito só foi restabelecido depois que o juiz Márcio de Lima, acompanhado da Polícia Militar, negociou um acordo com manifestantes dos dois lados.

Entidades de imprensa repudiam agressão e pedem punição

Entidades de representação da imprensa classificaram como "atentado à liberdade de expressão" e pediram a punição do responsável pela agressão.

"Além de injustificável ato de violência, foi lamentável tentativa de impedir o livre exercício do jornalismo. O trabalho dos jornalistas é levar os fatos ao conhecimento público e quem busca prejudicar essa missão está agredindo os próprios cidadãos, e, acima de tudo, afrontando o princípio maior da liberdade de imprensa", disse, em nota, a Associação Nacional dos Jornalistas (ANJ).

"Toda e qualquer agressão a um jornalista é um atentado à liberdade de expressão. É preciso que a sociedade, as forças de seguranças e os políticos respeitem o trabalho do profissional. No caso, apesar de ter uma contextualização, o repórter estava fazendo o trabalho dele e precisa ter assegurado o direito de exercer sua profissão", afirmou Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) emitiu uma nota de repúdio contra o incidente e pediu a apuração e punição do responsável.

"São extremamente preocupantes os atos de violência que tentam impedir a livre e necessária atuação da imprensa. Nada justifica ações como esta, que demonstram intolerância e desconhecimento do real papel dos veículos de comunicação de informar a sociedade sobre assuntos de interesse público", diz a manifestação da Abert. 

Caravana de Lula pelo Sul enfrenta desafios 

O ex-presidente Lula passa por conturbação única em caravanas desde sua eleição. Durante passagem por São Miguel do Oeste (SC), neste domingo, 25, o petista foi alvo de ovadas e pedradas, jogadas por manifestantes. As pedradas atingiram dois dos três ônibus da caravana. Em Passo Fundo (RS), na última sexta-feira, 23, manifestantes impediram a passagem da caravana com pneus em chamas na BR-324 e dois tratores no percurso. O ato do dia foi cancelado pela organização.

 

Redação O POVO Online, com Agência Estado

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