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A candidatura de Temer, o PIB e a segurança

16:33 | 01/03/2018
O governo federal lançou hoje as bases informais para a sua plataforma eleitoral. Manjado, o plano se assenta em dois pilares: recuperação econômica, atestada pelos números recentes do PIB, e a garantia de segurança, a principal demanda de dez entre dez eleitores segundo qualquer sondagem de opinião.
 
O candidato Michel Temer sabe disso. O presidente também. Tanto que trocou de figurino na virada de 2017 para 2018: saiu o reformista; entrou o populista, aquele cuja preocupação é a continuidade no poder.
 
A economia é normalmente um trunfo e tanto. FHC, por exemplo, amparou-se no Plano Real, do qual extraiu a eleição e, depois, a reeleição. Acossado por um tsunami de acusações, Lula não fez diferente em 2006. Em meio ao bombardeio do mensalão, o petista usou os números do governo como bote salva-vidas. Politicamente, saiu-se com uma desculpa esfarrapada para os malfeitos dos companheiros: “Eu não sabia”. Colou na época.
 
Temer e Lula têm mais em comum do que se imagina. São velhas raposas, fazem uma leitura de cenário acurada e lutam por uma sobrevida – o atual e o ex vivem situações parecidas também na Justiça, da qual são alvo num sem-número de inquéritos, com Lula já condenado e Temer a caminho do cadafalso.
 
O presidente tinha diante de si três crises agudas: uma econômica, a maior já registrada na série histórica do IBGE. A de segurança, que se alastrava pelo restante do Brasil a partir do Rio na esteira do fortalecimento das facções. E a crise do político, com índices baixíssimos de popularidade resistentes a cada nova pesquisa.
 
O que o emedebista fez?
 
Juntou as três crises, e agora tenta fazer do limão uma limonada. Se der certo, seu rosto estará nas urnas eletrônicas em outubro. Do contrário, as eleições caem no colo de Alckmin – ou de algum aventureiro fabricado por ideólogos de suspensório como FHC.
 
Vista como gesto corriqueiro, a saída de Fernando Segovia da chefia da Polícia Federal é um indício claro dessa mutação de Temer de “mordomo de filme de terror” para “vampiro de Tuiuti”. Não é que o governo tenha desistido de “estancar a sangria” com o “Supremo, com tudo”. Ele apenas recalibrou a estratégia, deixando de lado um plano de difícil execução, que precisaria do beneplácito e da rapidez que o STF não pode oferecer, para tentar se salvar pelas urnas – uma tarefa ainda mais mirabolante.
 
Mas, na cabeça do presidente, algo precisava ser feito. Ou era isso, ou a morte por asfixia na tentativa de emplacar a agenda impopular da reforma da Previdência. Em ano eleitoral, ficou com a primeira opção.
 
Hoje, o governo entendeu que é mais fácil tentar escapar da Lava Jato convencendo os brasileiros de que faz um bom trabalho, ao menos se comparado aos anos de Dilma Rousseff.
 
É aí que entram a segurança e a economia e a roupagem mal-disfarçada do candidato Temer. Não à toa, o Planalto fez duas investidas no mesmo dia: comemorou o crescimento de 1% no PIB e o fim oficial da recessão. E aventou a hipótese de estender a intervenção militar no Rio para outros estados brasileiros, principalmente depois que pesquisa interna, encomendada pelo governo ao Ibope, apontou aumento no apoio popular à medida de 85% para 86%. 
 
A sete meses das eleições, Temer deseja operar uma alquimia: colar-se à imagem de pacificador, abocanhando território de Jair Bolsonaro entre os conservadores. E enterrar de vez a PEC da Previdência. Na teoria, é um lance de mestre. Na prática, é preciso combinar com os russos (os eleitores).
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