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Funaro revela que entregou R$ 11,4 milhões em dinheiro vivo a Geddel

Delator contou com detalhes como funcionava esquema de propinas e apresentou planilhas e extratos de pagamentos, históricos de voos em jato que servia para levar os pacotes de dinheiro, e até mensagens trocadas com Geddel

17:10 | 08/09/2017
Geddel
Geddel
[FOTO1]O doleiro Lúcio Funaro afirmou em entrevista à Veja que entregou R$ 11,4 milhões, em dinheiro vivo, ao ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. Ele contou que as entregas foram realizadas entre 2014 e 2015, divididas em 11 vezes. O transporte do dinheiro era feito em um jato particular e o próprio Geddel recebia em um hangar privado do Aeroporto Internacional de Salvador, na Bahia. Além do Aeroporto, as propinas eram entregues em hotéis em São Paulo e em Salvador, e até na festa de 15 anos da filha do ex-ministro.
 
"Ao descer do avião (com a mala de dinheiro), era indagado por Geddel a respeito da quantia que estava sendo entregue. Geddel demonstrava naturalidade ao receber os valores", conta.  
 
Geddel voltou a ser preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira, 8, e já está em Brasília, onde cumpre detenção preventiva. A decisão é do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, o mesmo que mandou prender Geddel inicialmente em 3 de julho deste ano. Nove dias depois, Geddel foi encaminhado para prisão domiciliar.

À Veja, Funaro delatou com detalhes como funcionava a relação de propinas na Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, de 2011 a 2015. O doleiro apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) mensagens trocadas com Geddel, planilhas de pagamento, extratos bancários e até histórico dos voos de jatinho.

O ex-ministro tinha aval de Temer, de quem era amigo próximo, para comandar as relações do Planalto com o Congresso. De acordo com o delator, Geddel, além de amigo, era "interlocutor de Temer", como um "forte arrecadador de doações e propinas".
 
Na manhã da última terça-feira, 5, a PF encontrou caixas e malas contendo R$ 51 milhões em um "bunker" do ex-ministro. A conferência levou 14 horas para terminar, sendo necessário usar sete máquinas para contabilizar. A ação fez buscas em um imóvel em Salvador e foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília.  
 
 
 
Redação O POVO Online
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