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OAB-CE cobra investigação sobre excessos na ação policial em ato Fora Temer

Marcelo Mota, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Ceará (OAB-CE), concedeu coletiva de imprensa nesta manhã. Ele defende investigação dos policiais envolvidos na agressão e de quem deu a ordem de serviço

12:15 | 09/09/2016
[FOTO1]Já era noite e os manifestantes estavam se dispersando e se misturando com transeuntes que aproveitavam o feriado de 7 de setembro na avenida Beira Mar. Foi neste momento, relata Jéssica Fontenele Sales, advogada de 25 anos, que viaturas da Polícia Militar (PM) chegaram atirando balas de borracha e disparando agressões contra quem estava no local.

Jéssica foi uma das manifestantes agredidas no ato contra o presidente Michel Temer (PMDB) na última quarta-feira, 7. Ela participou de coletiva de imprensa na Ordem dos Advogados do Brasil do ceará (OAB_CE) que aconteceu na manhã desta sexta, 9, ao lado do presidente estadual Marcelo Mota.

O dirigente defendeu uma “rigorosa apuração dos policiais envolvidos e de onde partiu a ordem para a ação”. “A OAB-CE repudia veementemente os excessos, abusos, violência e truculência que a policia fez com relação a uma manifestação que era pacífica e que já estava em dispersão”, afirmou.

Além disso, a OAB-CE oficiou o governador do Estado Camilo Santana (PT), o secretário de Segurança Pública e o Comandante da Polícia Militar e solicitou uma audiência com Camilo. “Nós queremos ouvir o posicionamento dele sobre isso”, explica o presidente.

No momento da ação policial, segundo Jéssica, havia um grupo de advogados no local, que tentaram mediar a situação e conversar com os agentes de segurança, sem sucesso. “Não foi uma tentativa de dispersão, o que aconteceu foi um cerco. Eles fecharam os manifestantes de um lado e de outro, não nos deixando sair. Foi uma ação para punir”, diz a advogada.

A OAB-CE lançou uma nota de repúdio nesta manhã, assinada por Mota. No texto, a Ordem afirma que “a forma sem critério e extremamente violenta contra populares e contra os próprios advogados, que também tiveram suas prerrogativas violadas, são mostras de uma ação desastrosa, que tenta inclusive criminalizar o direito de manifestação, a liberdade de expressão e o exercício da profissão do advogado”.

Nesta quinta-feira, 8, o governador afirmou que vai apurar os excessos da PM, mas admitiu possibilidade de vândalos no ato. “A informação que recebi foi que a manifestação estava pacífica, mas houve a infiltração de aproximadamente 50 pessoas, que começaram a fazer pichações, quebraram a vidraça de um prédio”, afirmou. Segundo ele, moradores do prédio acionaram a polícia e, então, houve o confronto. “Qualquer ação que tenha extrapolado, vamos apurar”.
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