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"Há um estado de golpe sendo conspirado no Brasil", afirma Dilma

A presidente da República acusa Temer e Cunha de serem os autores

15:10 | 13/04/2016

Às vésperas da votação da abertura do processo de impeachment na câmara dos Deputados, Dilma Rousseff (PT) afirmou que "há um estado de golpe sendo conspirado no Brasil". A presidente disse que seus autores são o vice Michel temer (PMDB) e o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Caso sofra o impedimento, ela disse que vira "carta fora do baralho". A presidente falou também que não sabe o que fará se for afastada por 180 dias, até o processo ser julgado no Senado. "Isso ninguém sabe". 

Ela prometeu que, se ganhar a votação na Casa, vai fazer uma proposta de "pacto" no País. "Não pode ter vencidos nem vencedores, você não faz um pacto com ódio", afirmou, dizendo que "convida a todos", inclusive partidos de oposição, trabalhadores e empresários a formar esse pacto.

A presidente não deixou claro se a proposta de repactuação será apresentada após a votação do impeachment na Câmara ou no Senado.

"Digo qual é o meu primeiro ato pós-votação na Câmara. A proposta de um pacto, de uma nova repactuação entre todas as forças políticas, sem vencidos e sem vencedores. Seja pós-Câmara mas também pós-Senado, sobretudo. No pós-Senado é que isso será mais efetivo", disse Dilma. De acordo com a presidente, a proposta de repactuação vai se estender a oposição. "A oposição existe", declarou.

A presidente também fez questão de repetir que o processo que sofre é golpe. "Não há dúvidas de que quem defende a interrupção do meu mandato sem prova é golpista", disse.

Dilma disse que vai lutar até o fim pela manutenção do mandato em todas as instâncias possíveis e descartou fazer como o ex-presidente Fernando Collor, que renunciou depois de ser derrotado na Câmara, em 1992, e pouco antes de começar a ser julgado pelo Senado, no fim daquele ano.

"O governo vai lutar até o último minuto do último tempo por uma coisa que acreditamos que seja factível, que é ganhar contra esta tentativa de golpe que estão tentando colocar contra nós através de um relatório que é uma fraude", afirmou a presidente.

Dilma comparou o momento a uma guerra psicológica na qual os dois lados tentam usar os números a seu favor para influenciar os indecisos. "Nós agora, nessa reta final, estamos sofrendo e vamos sofrer uma guerra psicológica que tem um objetivo que é construir uma situação de efeito dominó", disse.

 

Impeachment consumado

Dilma não descartou a possibilidade de recorrer ao Judiciário em caso de derrota no Congresso. Ela citou supostas falhas no rito do impeachment em relação ao direito de defesa como possível argumento para a judicialização do caso.

"Não garanto ainda o que nós vamos fazer porque não tenho a avaliação completa do jurídico do governo. Não sabemos se vamos. E se formos, quando", disse.

Durante a conversa, Dilma foi perguntada sobre o cenário em caso de derrota e também sobre seus planos para o futuro, se conseguir terminar o mandato. "Vou embora para a minha casa em Porto Alegre. Tenho direito à aposentadoria."

Redação O Povo Online com Agência Estado

 

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