Temer diz que não vai interferir em escolha de novo líder da CâmaraNotícias de Política
PUBLICIDADE
Notícias


Temer diz que não vai interferir em escolha de novo líder da Câmara

19:05 | 06/01/2016
O vice-presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira, 6, que não vai interferir na escolha do novo líder do PMDB na Câmara, mas defendeu que a bancada permaneça unida mesmo diante das divergências em torno do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Não se pode dividir a bancada entre governistas e não governistas. O que deve haver é uma conjugação da própria bancada para que haja a unidade dela e essas questões de quem é a favor disso ou a favor daquilo ficar fora dessa discussão", afirmou.

Temer, que também é presidente do PMDB, tem dito a deputados que o procuram que não vai atuar nem contra nem a favor de nenhum candidato à liderança. "O partido evidentemente não vai interferir nessa matéria que é uma matéria da bancada da Câmara", afirmou.

A posição do vice neste início de ano sobre a disputa na bancada difere da que ele teve no final do ano passado, quando se movimentou nos bastidores para substituir o então líder Leonardo Picciani (RJ) - próximo ao Palácio do Planalto e contra o impeachment - pelo deputado Leonardo Quintão (MG), ligado ao grupo favorável ao processo de impeachment. O deputado mineiro chegou a ocupar o posto por uma semana, mas foi destituído após Picciani conseguir, com ajuda do governo, maioria de assinaturas na bancada.

Apesar do posicionamento de Temer pela unidade partidária, a briga pelo comando da legenda na Câmara deve se manter acirrada mesmo durante o recesso parlamentar. Até o momento, a bancada de Minas não consegue chegar a um consenso sobre quem disputará com Picciani. Além de Quintão, o deputado Newton Cardoso Júnior também quer ocupar o posto.

Reunião

Temer recebeu, nesta quarta-feira, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner e, após o encontro, repetiu que pretende estabelecer com o governo uma relação "harmoniosa". Segundo ele, a reunião foi positiva. "A conversa foi muito útil, foi uma conversa muito adequada", disse.

De acordo com o vice, na conversa que durou quase duas horas, ele e o ministro examinaram a conjuntura política do País para esse ano. "Reitero que estabelecemos novamente a ideia de harmonia absoluta", afirmou.

Ontem, em seu primeiro dia de trabalho em Brasília, Temer já havia dito que pretende manter uma relação harmoniosa com a presidente Dilma Rousseff e que "pelo menos no começo" do ano é preciso insistir nessa direção.

No ano passado, o vice-presidente enviou uma carta para Dilma com uma série de reclamações sobre a aliança com o PT, se aproximou ainda mais da ala do PMDB pró-impeachment e causou mal-estar no Palácio do Planalto.

Wagner, escalado pelo governo para refazer as pontes com o vice, ao deixar o encontro, disse que fez uma visita de cortesia para desejar feliz ano novo a Temer e que os dois trataram também de coisas pessoais, como o aniversário da sua esposa que se aproxima. O ministro disse ainda que já havia falado com o vice por telefone na segunda-feira.

Cid Gomes

Questionado sobre a razão pela qual decidiu processar o ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff e o ex-governador do Ceará Cid Gomes, Temer limitou-se a dizer: "porque ele falou mal de mim".

Durante convenção do PDT, no dia 17 de outubro, quando se filiou à legenda, Cid acusou Temer de ser "chefe da quadrilha de achacadores que assola o Brasil" e disse que o País não iria avançar com o PMDB no Palácio do Planalto.

Sem alarde, no dia 5 de novembro, Temer e o PMDB ingressaram com uma representação criminal na Justiça Federal de Brasília contra o ex-governador cearense acusando-o de ter cometido os crimes de calúnia, injúria e difamação.

TAGS