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Para ter apoio, Aécio terá que adotar planos de Marina

11:20 | 06/10/2014
Diante do novo cenário eleitoral, o PT deve escolher manter o conhecido discurso de que Aécio Neves (PSDB) ameaça a agenda social do País, o que pode não ser suficiente para garantir a vitória na eleição, enquanto o tucano precisará desconstruir essa estratégia e ampliar o discurso para além da questão macroeconômica e da corrupção, segundo analistas consultados pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, .

A avaliação é de que Aécio tem mais chances de receber o apoio de Marina Silva (PSB), mas ele terá que adequar seu programa e, possivelmente, sinalizar de forma mais clara a reforma política defendida pela ex-ministra.

Para o cientista política da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, essa polarização pode dificultar a recuperação do PT em colégios eleitorais relevantes, como São Paulo, o que ele considera fundamental para que o partido garanta a vitória no pleito.

"O PT precisa incorporar novos elementos ao seu discurso sob pena de ter uma derrota em 2014", afirmou. Segundo ele, porém, ampliar o discurso também será um desafio para Aécio, uma vez que o eleitor motivado pelas questões de corrupção e economia já vota no tucano. "A virada passa por incorporar outras agendas e minimizar o risco em torno da agenda social", apontou Cortez.

Carlos Pereira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, apontou que o discurso feito neste domingo, 5, pela presidente Dilma Rousseff (PT) após o resultado já trouxe a ligação entre Aécio e a ameaça à agenda social.

"Ela vai tentar insistir nessa ideia de que a candidatura dele é ameaça ao pacote de proteção. Ele vai ter que convencer o eleitor que não é. Essa vai ser a tônica. Isso tudo ancorado em um debate sobre corrupção", avaliou.

Para ele, vai ganhar o candidato que conseguir convencer o eleitor de que essa agenda de inclusão social não está ameaçada pela responsabilidade macroeconômica. "Dilma tem um pacote social gigantesco, mas ele pode não ser sustentável", destacou.

Os analistas também avaliaram que Aécio tem chances de se recuperar em Minas Gerais, onde ficou em segundo lugar no primeiro turno, quase quatro pontos atrás de Dilma. "Se eventualmente o PSDB se recuperar em Minas, isso representará uma diferença de votos bastante ampla para Aécio no segundo turno, compensando o Nordeste", disse Cortez.

Para Pereira, o tucano pagou o preço por uma escolha equivocada no Estado, ao optar por um candidato que não convenceu para concorrer ao governo. Pimenta da Veiga (PSDB) perdeu a disputa estadual no primeiro turno para o petista Fernando Pimentel.

"Eu não me surpreenderia se Aécio vencesse em Minas no segundo turno. Quando o eleitor mineiro colocar na balança alternativas reais, ele conseguirá reverter esse quadro", disse.

Apoio

Na avaliação dos analistas, se Marina optar por apoiar um candidato, o escolhido será Aécio. No entanto, ele precisará abordá-la com flexibilidade para ajustar seu programa de governo, integrando pontos característicos do discurso da ex-ministra, como uma reforma política que acabe com a reeleição, ressaltou Cortez, da Tendências.

"Um ponto que pode ser a chave para o acordo é a reforma política, mas isso vai ser só a dimensão pública desse acordo. Intimamente, existe o desgaste entre PT e Marina no primeiro turno", disse. "Se ele for capaz de propor para ela uma agenda com um programa de governo e não meramente eleitoral, é bem provável que a Marina o apoie", apontou Pereira, da FGV-RJ.

Já Cortez destacou ainda que, mesmo sem um apoio de Marina, a tendência é que os votos recebidos pela ex-ministra migrem com mais intensidade para Aécio. "A questão é a magnitude desse movimento - se vai ser suficiente para fazer a reversão ou se vai manter o status quo. É difícil a totalidade dos votos dela migrarem para Aécio. O movimento deve ser por região", afirmou.

Além disso, segundo ele, um acordo do PSDB com o PSB, independentemente de Marina, também ficaria sujeito a variações nos Estados. Em São Paulo, por exemplo, os dois partidos andam juntos. "A posição da Marina tem um peso menor dentro da legenda. Ela é um projeto transitório agora que deixou de ir para o segundo turno."

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