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Candidatos de oposição apostam no voto de opinião em PE

19:40 | 01/10/2014
Em meio ao sentimento de comoção presente em parte dos eleitores pernambucanos com a morte de Eduardo Campos, os poucos representantes de oposição no Estado tentam sobreviver nesta eleição com pequenas estruturas e na busca do voto de opinião.

Para manter a bandeira oposicionista, representantes desse pequeno grupo tiveram que tomar a decisão de rumar contra o próprio partido, que se aliou ao governo da situação. Esse é o caso da candidata a deputada estadual, a vereadora Priscila Krause (DEM). Histórico adversário do PSB no Estado, o Democratas é hoje um dos aliados na campanha de Paulo Câmara (PSB) ao governo.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de tomar um caminho próprio no Estado, o presidente estadual do DEM, deputado federal Mendonça Filho, deu a tônica do momento que vive a oposição na região. "É impossível. Era suicídio. Era sacrificar os dois mandatos de deputados estaduais e o meu mandato", afirmou.

Decidida a se manter como um "contraponto" na região, Priscila Krause abriu mão de participar dos "guias eleitorais" (como são chamados os programas eleitorais de rádio e TV em Pernambuco) e de receber material impresso do partido.

"Fiz essa opção porque as pessoas querem em mim um contraponto, alguém para fiscalizar", afirmou. "Estou fazendo campanha com ajuda dos amigos, e dos amigos dos amigos, do tamanho que posso fazer", brincou.

Sem aparecer nos programas de rádio e TV da coligação, ela tem investido nas redes sociais e gravado vídeos com as propostas. Para Krause, a morte do ex-governador Eduardo Campos teve grande impacto nas eleições locais. "A morte dele alterou o quadro eleitoral", afirmou ao se referir à virada de Paulo Câmara sobre o candidato Armando Monteiro (PTB), que chegou a ficar cerca de 30% na frente do adversário.

Numa decisão similar à tomada por Krause, o candidato a um mandato na Câmara dos Deputados Federais, deputado estadual Danilo Coelho (PSDB), também se afastou da cúpula tucana no Estado que escolheu se aliar ao PSB. "Respeito a decisão partidária que, pela maioria, preferiu apoiar uma candidatura do PSB aqui no Estado, mas me reservei ao direito de manter a minha independência e a postura crítica", ressaltou o candidato, que defendeu uma reavaliação da postura do partido no sentido de buscar candidaturas próprias nas próximas eleições.

Apesar de não ter sido tão radical a ponto de evitar aparecer nos programas eleitorais, o candidato não esconde as dificuldades que enfrenta ao escolher se tornar "independente". "Atrapalhou completamente, no momento que a gente abdicou de ter um palanque estadual, nós abdicamos não só da estrutura financeira como da política", afirmou. "Eu estou disputando a eleição de deputado federal sem apoio de nenhuma liderança formal. Dessa forma, a gente acaba não tendo a condição de penetrar no interior já que lá a política é mais controlada exatamente pelas lideranças locais".

Segundo ele, a falta de apoio em outras regiões o força a buscar o voto de opinião, exclusivamente metropolitano. Líder de oposição na Assembleia Legislativa, Coelho falou ainda sobre os problemas de se criticar neste momento o legado de Eduardo Campos no Estado. "Com a morte de Eduardo, você perdeu a condição de criticá-lo porque ninguém vai criticar alguém que morreu. É uma questão até de respeito. Perdeu-se então o contraponto a ele", afirmou.

O candidato realizou passeata na tarde de hoje no bairro Imbiribeira, onde fez corpo a corpo com moradores de comunidade de baixa renda da região. Em boa parte das casas, já havia adesivos e faixas dos candidatos adversários do PT e PSB. Coelho percorreu o local por uma hora e meia acompanhado por cerca de 40 militantes que recebem R$ 180 por semana para participar dos atos de campanha.

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