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Base quer agora sessão aberta em depoimento de Costa

14:10 | 17/09/2014
Parlamentares da base aliada decidiram rever a estratégia a ser adotada logo mais às 14h30 na CPI Mista da Petrobras para ouvir o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Os aliados vão defender que, em vez de tentar ouvi-lo numa sessão reservada, o melhor é cobrar uma reunião aberta. A avaliação é a de que aceitar uma sessão fechada colocaria o governo na defensiva, uma vez que as "versões" dos vazamentos poderiam ser controladas pela oposição.

A mudança de postura começou a ser costurada na tarde de terça-feira, 16, em encontro que contou com a presença do relator da CPI mista, deputado Marco Maia (PT-RS), o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), e assessores técnicos da comissão. O martelo foi batido hoje pela manhã.

Humberto Costa revelou a operação mais cedo ao Broadcast Político. A reportagem apurou que a estratégia conta com o aval do Palácio do Planalto, que acompanha de perto todas as tratativas que rondam o depoimento do ex-diretor.

Parlamentares e assessores da base também discutiram se vão partir para o contra ataque à oposição. Técnicos passaram o pente-fino em doações feitas por empreiteiras que tiveram ou mantém contratos com a Petrobras desde o governo Fernando Henrique Cardoso e que são suspeitas de fazerem parte do esquema de ex-diretor. Avaliam municiar deputados e senadores da base com tais relações, que poderiam ser usadas para tentar equilibrar as acusações de que políticos, principalmente do PT e do PMDB, teriam recebido propina sobre contratos na época em que Costa foi diretor (2004-2012).

Os governistas também vão cobrar do ex-diretor que confirme nominalmente as acusações, relatadas pela imprensa, de que políticos receberam propina. Um dos citados é o ex-presidenciável do PSB Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no mês passado, que foi sucedido por Marina Silva na disputa ao Palácio do Planalto. Isso se Costa decidir falar - ele pode se manter em silêncio diante dos questionamentos.

A prerrogativa sobre o formato da sessão da CPI mista - se vai ser numa sessão fechada ou aberta - cabe inicialmente ao presidente do colegiado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). O PMDB, partido de Vital, é uma das legendas com maior número de políticos citados até agora nas denúncias, como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Mas qualquer parlamentar pode apresentar um requerimento para transformá-la em fechada, decisão que precisará ir à votação pelo plenário.

O deputado Afonso Florence (PT-BA), que é suplente na CPMI, afirmou que uma sessão fechada com Paulo Roberto poderia ser interpretada como uma tentativa do governo de abafar o caso. "Isso passaria a imagem de que está sendo um conluio", disse.

De acordo com ele, o PT deve questionar o delator sobre os políticos citados nas últimas semanas como participantes de um esquema de recebimento de propina na Petrobras. Pedirão que Paulo Roberto confirme o envolvimento desses nomes no escândalo e explique com quais provas pretende comprovar suas declarações.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse que seu partido só vai apoiar uma sessão fechada caso Paulo Roberto sinalize que tem intenção de falar. "Se for para ele não falar, que seja aberta", disse Cunha, um dos citados, de acordo com reportagens na imprensa, na delação do ex-diretor.

A oposição, por sua vez, vai pedir que a sessão seja fechada. Eles vão argumentar que em uma sessão reservada Paulo Roberto poderia falar sem comprometer os termos da delação premiada que negocia com a Justiça Federal.

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