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Reunião sobre CPI ocorreu na sede da Petrobras no DF

07:30 | 05/08/2014
A reunião entre servidores da Petrobras para discutir as perguntas e respostas dos interrogados na CPI da estatal no Senado ocorreu no gabinete da presidente da companhia, Graça Foster, em Brasília. A sala de reuniões integra o gabinete e o acesso é restrito a servidores da alta cúpula da estatal. O espaço é usado por Graça para receber autoridades e fazer reuniões com assessores. O gabinete da presidente ocupa todo o segundo andar do prédio da Petrobras na capital federal.

Procurada, a estatal não respondeu ontem aos questionamentos do jornal a respeito do uso do gabinete da presidente Graça Foster.

A reunião foi gravada em vídeo e divulgada pela revista Veja na edição do fim de semana. Além do chefe de gabinete da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, e do advogado da empresa Bruno Ferreira, o portal Estadao.com.br revelou ontem que o chefe do departamento jurídico do escritório da Petrobras em Brasília, Leonan Calderaro Filho, também estava presente na reunião.

A revista não identificou onde o vídeo fora gravado e se referiu a Calderaro como pessoa não identificada.

A conversa gravada sugere que os executivos da Petrobras tiveram acesso com antecedência às perguntas que seriam feitas aos depoentes da estatal por senadores da CPI no Senado. Barrocas informa aos colegas que encaminhara, por fax, o "gabarito" à presidente da estatal. Ele foi nomeado como chefe de gabinete da Petrobras em Brasília por Graça Foster. Antes, eles trabalharam juntos na BR Distribuidora, quando Graça era presidente e Barrocas, chefe de gabinete da subsidiária da estatal em Brasília. Pessoas que convivem com os dois disseram à reportagem que Barrocas é fiel a Graça e não toma decisões mais complexas envolvendo a Petrobras sem o aval da chefe.

Questionário

Um servidor da estatal confirmou ao jornal "O Estado de S. Paulo", em condição de anonimato, como funcionava o suposto esquema para que os depoentes tivessem conhecimento prévio das perguntas dos senadores. Os questionamentos eram elaborados por servidores do PT, com ajuda do servidor da Secretaria de Relações Institucionais, Paulo Argenta. Barrocas buscava o questionário pessoalmente na liderança do Senado. O próximo passo, o que foi gravado em vídeo, era a reunião no gabinete da presidente para discutir as respostas. Ao final, o documento seria encaminhado para o comando da empresa, no Rio.

O chefe do escritório da estatal em Brasília e o assessor da Secretaria de Relações Institucionais Paulo Argenta tinham por hábito acompanhar pessoalmente os depoimentos na CPI.

Ex-presidente da estatal e ex-presidente do PT, José Eduardo Dutra, que hoje é diretor da Petrobras, também participou de reuniões com a bancada do PT para discutir as investigações.

O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), protocolou ontem requerimentos de convocação para que o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini (PT), compareça ao Congresso para explicar a suspeita de envolvimento de um funcionário da pasta no caso. Os requerimentos foram apresentados nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle, de Minas e Energia e no próprio plenário da Casa.

Fontes disseram ao jornal "O Estado de s. Paulo" que a cúpula da Petrobras desconfia que a gravação foi feita pelo advogado Bruno Ferreira. Ontem, ele chegou a ser sabatinado na estatal sobre sua suposta participação no caso.

'Simulações'

A Petrobras informou em nota que "tomou conhecimento das perguntas que norteiam os trabalhos das CPI e CPMI da Petrobras através do site do Senado Federal". Afirmou que, "após cada depoimento, as dezenas de perguntas são desdobradas em novas perguntas pela equipe da Petrobras de forma a subsidiar os depoimentos subsequentes" de executivos e ex-executivos, que são preparados "com simulações de perguntas e respostas".

Ainda segundo a nota, a estatal informou que "garante apoio a executivos e ex-executivos, preparando-os, com simulações de perguntas e respostas, para melhor atender os diferentes públicos, seja em eventos técnicos, audiências públicas, entrevistas com a imprensa e, no caso em questão, as CPI e CPMI". Tais simulações, afirma, "envolvem profissionais de várias áreas, inclusive consultorias externas, de modo a contribuir para uma melhor compreensão dos fatos e elucidação das dúvidas". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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