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Dallari aponta ex-agente associado à morte de Zuzu Angel

19:45 | 25/07/2014
O presidente da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, disse nesta sexta-feira, 25, que o ex-agente da ditadura Freddie Perdigão está associado à morte da estilista Zuzu Angel, na estrada da Gávea, no Rio de Janeiro, na madrugada de 14 de abril de 1976. Ele chegou à conclusão após analisar uma fotografia, publicada pelo jornal O Globo um dia após o carro dela colidir na mureta de um viaduto na saída do Túnel Dois Irmãos e cair de um ribanceira. Perdigão, que atuou na "Casa da Morte", um centro de torturas de Petrópolis, seria um dos homens à paisana que aparecem próximos ao carro capotado da estilista. Ele morreu em 1997.

Quem associou Perdigão ao homem fotografado foi o ex-agente da Polícia Civil do Espírito Santo Cláudio Guerra. Em depoimento na última quarta-feira, ele contou que ouviu histórias do período do próprio Perdigão, morto em 1997. Guerra chegou a apresentar a fotografia recortada, em que aparece apenas o rosto do suposto participante na morte da estilista. À comissão, Guerra disse que obteve a imagem numa pesquisa recente no acervo do Globo. Na tarde de hoje, o jornal informou que a imagem foi publicada no dia 15 de abril de 1976.

Desde 1998, o Estado reconhece que Zuzu Angel foi assassinada por agentes do regime militar. Naquele ano, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos avaliou que um carro possivelmente ocupado por militares fechou o carro Karmann Ghia guiado pela estilista na estrada da Gávea. Ela morreu no local. Na época, Zuzu fazia campanhas para exigir o corpo de seu filho, o estudante de economia e militante de esquerda Stuart Angel Jones, morto em 1971, na Base Aérea do Galeão.

Um ano e meses após ser criada, a comissão mantém seus trabalhos apenas com material já divulgado pela imprensa e por grupos de famílias de mortos pela ditadura. Os comandantes das Forças Armadas se recusam a entregar os arquivos oficiais dos centros de inteligência relativos ao período da ditadura. Até agora, membros da comissão tentam convencer o Planalto a intervir para garantir um relatório final com novos dados sobre a repressão, especialmente a localização dos corpos de guerrilheiros ainda não entregues às famílias.

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