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Candidatos apostam em plataformas colaborativas no RS

09:00 | 06/07/2014
Antes mesmo do início das campanhas eleitorais, ficou claro que a internet terá um papel fundamental na corrida pela preferência do eleitor. No Rio Grande do Sul, os candidatos ao Palácio Piratini têm apostado não só no uso das redes sociais como também na criação de plataformas colaborativas para elaboração de seus programas de governo, numa tentativa de atrair o eleitor que, nas manifestações de junho do ano passado, reivindicou mais representatividade na política brasileira.

O primeiro a fazer isso foi Vieira da Cunha (PDT), quando ainda era pré-candidato. Em abril, ele lançou o site www.planodegovernocolaborativo.com.br, que expõe propostas em diferentes áreas para que o internauta vote naquelas que considera adequadas. Se preferir, o eleitor pode enviar sua própria proposta para o candidato.

A estratégia veio acompanhada de um investimento do partido para engajar a militância digital. O PDT gaúcho ofereceu um curso para os correligionários aprenderem a fazer campanha na web, e o próprio Vieira tem uma presença ativa em redes como Twitter, Facebook e Instagram.

Esta semana foi a vez do aspirante do PMDB ao governo estadual, o ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori, aderir à tendência com o projeto Conexões RS. "Por meio de um chat com internautas, o candidato estará abrindo espaço para a participação dos gaúchos no plano de governo. Pessoas de todas as regiões do Estado poderão colaborar apontando problemas e sugerindo soluções", informava o material divulgado à imprensa.

No caso de Sartori, chama a atenção o fato de que ele não tem a tradição de uso da internet em sua trajetória política. Até pouco tempo atrás não possuía perfil em nenhuma rede social, e todo o processo de imersão do candidato na web está sendo feito agora, pela equipe de campanha.

O coordenador do Centro Brasileiro de Pesquisas em Democracia da PUCRS, Rafael Madeira, acredita que hoje há uma pressão sobre os candidatos para que interajam com o eleitor no ambiente digital. "A utilização da internet e das redes sociais na política é algo relativamente novo e tomou importância nesta eleição", diz.

Segundo Madeira, assim como um candidato se vale de comícios, do rádio e da televisão durante o período eleitoral para "convencer" o cidadão a votar nele, o mesmo agora é feito na internet. "Ele precisa de todos os mecanismos para chegar ao eleitor, e a web é parte fundamental do processo, até pelo custo baixo e alto poder de penetração. O interesse de conquistar votos pela internet é legítimo."

A candidata Ana Amélia Lemos (PP) ainda não lançou nenhuma plataforma colaborativa relacionada à eleição deste ano, mas um dos coordenadores de sua campanha, Marco Aurélio Ferreira, tem dito que esta "interatividade digital" terá papel essencial, assim como já ocorre em seu mandato como senadora. De acordo com Ferreira, existe um mailing com e-mails de cerca de 150 cidadãos que mantêm contato com o Gabinete da parlamentar e colaboram com sugestões.

A mesma continuidade se espera do atual governador e candidato à reeleição, Tarso Genro (PT), que tem uma atuação intensa nas redes sociais e aposta na participação digital do cidadão para decidir sobre temas de interesse público.

No início do mandato, em 2011, Tarso criou o Gabinete Digital, um site com ferramentas para que as pessoas monitorem obras e dialoguem mais abertamente com o governador - e que ganhou destaque durante as manifestações de junho do ano passado. Outra iniciativa permite que os gaúchos votem em prioridades pela internet para compor o orçamento do próximo ano.

Tarso aposta tanto na interatividade que o próprio slogan da campanha deste ano fará alusão às redes. "Compartilhe Crescimento. Compartilhe Igualdade" é a marca elaborada por sua equipe de comunicação.

Para a pesquisadora Ana Julia Possamai, do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (Cegov) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os políticos já perceberam que não podem mais fugir do ambiente digital. "Nesse ímpeto, em alguns casos pode acabar havendo uma banalização do uso dessas ferramentas, principalmente se esta tradição não estiver no DNA do candidato e do partido", explica. "Uma ferramenta colaborativa não basta para tonar um partido ou um projeto colaborativo." Ela acredita que, no futuro, talvez o próprio eleitor aprenda a fazer essa diferenciação.

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