Juíza dos EUA limita poderes de agentes de imigração no estado de Minnesota

Juíza dos EUA limita poderes de agentes de imigração no estado de Minnesota

Uma juíza federal dos Estados Unidos impôs, na sexta-feira (16), restrições aos agentes de imigração em Minnesota, determinando que eles reduzam suas "táticas agressivas".

As tensões aumentaram neste estado após a morte, na semana passada, de uma mulher, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE).

A juíza Katherine Menendez ordenou que os agentes não detenham manifestantes em carros que "não estejam obstruindo" a atividade das autoridades e os proibiu de usar gás pimenta contra eles.

Além disso, deu um prazo ao Departamento de Segurança Interna, ao qual o ICE é subordinado, de 72 horas para cumprir a determinação.

Mineápolis se tornou o epicentro das manifestações no país, depois que um agente do ICE atirou, em 7 de janeiro, em Renee Nicole Good, de 37 anos, depois de ordenar que ela descesse do carro.

Dois dias depois da morte de Good, um agente federal atirou e feriu um venezuelano, também em Mineápolis.

A CBS News reportou que, em uma manobra legal em separado, o Departamento de Justiça investiga o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Mineápolis, Jacob Frey, por impedir o trabalho dos agentes em meio às manifestações contra estes fatos.

A investigação poderia agravar ainda mais o enfrentamento entre as autoridades locais e a Casa Branca.

Walz e Frey fizeram vários apelos para que os protestos contra as operações migratórias no estado sejam pacíficos. A Casa Branca os acusou de "provocar a violência".

"Trata-se de uma tentativa de me intimidar por defender Mineápolis, as forças de ordem locais e os moradores contra o caos e o perigo que esta Administração trouxe para a nossa cidade", escreveu Frey na sexta-feira no X.

Walz disse que o governo Trump decidiu investigar outros democratas que se pronunciaram contra as políticas do presidente e fez referência ao caso Good.

"A única pessoa que não está sendo investigada pelo assassinato de Renee Good é o agente federal que atirou nela", condenou o governador no X.

O Departamento de Justiça não respondeu a um pedido de comentários. No entanto, a procuradora-geral, Pam Bondi, escreveu nas redes sociais na sexta-feira: "Um lembrete para todos os moradores de Minnesota: ninguém está acima da lei".

- Trump descarta Lei de Insurreição -

O presidente americano disse que considerava invocar a Lei de Insurreição diante dos protestos contra as operações migratórias em Minnesota. Mas, voltou atrás na sexta-feira.

"Se fosse necessário, eu a usaria. Não acredito que haja nenhuma razão para usá-la neste momento", disse Trump a jornalistas na Casa Branca, quando perguntado sobre a lei, que permite a mobilização de soldados em território americano.

Em um incidente diferente, o Departamento de Segurança Interna confirmou, na sexta-feira, que Heber Sánchez Domínguez, um mexicano de 34 anos, morreu sob custódia do ICE na quarta-feira. 

Sánchez estava detido no centro de processamento migratório Robert A. Deyton, em Clayton (Geórgia), informou o Consulado Geral do México em Atlanta, que pediu o esclarecimento das circunstâncias da sua morte. 

Ao menos quatro pessoas morreram sob custódia da agência deste o começo do ano, segundo dados do ICE.

Na quarta-feira, a família de Renee Good anunciou que tinha contratado os serviços de um escritório jurídico para investigar a morte a fim de iniciar ações legais contra o agente e o governo.

Os advogados exigiram, na quinta-feira, que as autoridades oficiais - inclusive o agente que atirou em Good - preservem os registros e as provas relacionados com sua morte.

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