Uganda celebra eleições sob repressão policial e internet bloqueada
Uganda começou nesta quinta-feira(15) a votar em eleições legislativas e presidenciais nas quais o presidente Yoweri Museveni busca prolongar seus 40 anos no poder, em um contexto de forte repressão policial e bloqueio da internet.
Na capital, Kampala, as seções eleitorais demoraram a abrir, como é habitual no país africano, mas a votação começou pouco depois das 07h locais (1h em Brasília) em pelo menos um subúrbio, confirmaram jornalistas da AFP.
Segundo outra equipe da AFP, patrulhas policiais e militares fortemente armadas foram destacadas na cidade fronteiriça de Jinja.
O jornal local Daily Monitor publicou uma página inteira explicando como “proteger” as casas durante as eleições, aconselhando os cidadãos a reforçar portas e janelas e procurar um cômodo seguro em caso de distúrbios.
É uma sensação familiar para os ugandenses após quatro décadas de governo de Museveni, de 81 anos, um ex-guerrilheiro acusado de abusos generalizados das forças de segurança contra seus adversários.
Nesta campanha, ele enfrenta o cantor que virou político Bobi Wine, de 43 anos. Assim como na disputa de 2021, centenas de seus apoiadores foram detidos nos dias que antecederam as eleições.
O candidato teve de usar colete à prova de balas nos comícios, nos quais descreveu as eleições como uma “guerra” e Museveni como um “ditador militar”.
Apesar das repetidas promessas de que não o faria, o governo bloqueou o acesso à internet na terça-feira por um período indefinido para evitar a disseminação de “desinformação” e “incitação à violência”.
As Nações Unidas classificaram o apagão digital como “profundamente preocupante” e Wine prometeu protestos caso os resultados sejam manipulados.
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