EUA elimina proteção a somalis em meio a ofensiva contra imigração
O governo de Donald Trump anunciou nesta terça-feira (13) o fim do status que permitia a cidadãos da Somália residir e trabalhar temporariamente nos Estados Unidos, e anunciou que eles devem deixar o país até meados de março.
A decisão foi tomada em meio a uma arremetida contra a comunidade somali no estado de Minnesota, onde o governo intensificou sua ofensiva contra a imigração e onde a morte recente de uma mulher baleada por um agente gerou protestos em todo o país.
"Nossa mensagem é clara: voltem para seu país de origem ou vamos deportá-los", publicou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) no X, ao anunciar a eliminação do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) para a Somália.
Segundo dados oficiais, cerca de 4 mil somalis se beneficiam desse amparo humanitário, concedido a estrangeiros quando guerras ou desastres naturais tornam inseguro o retorno a seu país de origem.
"A situação na Somália melhorou", afirmou hoje a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. "Permitir que os cidadãos somalis permaneçam temporariamente nos Estados Unidos vai de encontro aos interesses nacionais."
Localizada no Chifre da África e devastada por quase 35 anos de guerra, a Somália é um dos países menos desenvolvidos do mundo, segundo a ONU. O Departamento de Estado americano desaconselha viagens a esse país, devido ao risco de terrorismo, sequestro e crimes violentos.
Nas últimas semanas, o governo Trump usou um escândalo de fraude na assistência social envolvendo a comunidade somali de Minnesota — a maior do país, de cerca de 80.000 pessoas — para atacá-la e endurecer sua política migratória no estado. As operações na cidade de Minneapolis resultaram em cerca de 2 mil detenções.
Na rede Truth Social, Trump atacou os líderes democratas de Minnesota, a quem acusou de usar "a agitação causada por anarquistas e agitadores profissionais" no estado para "desviar a atenção" do escândalo de desvio de recursos públicos.
Esse caso de grande repercussão, que veio à tona em 2022, levou à acusação de 98 pessoas, "85 das quais de origem somali", ressaltou no mês passado a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi.