Reino Unido indeniza um detido de Guantánamo após acusações de cumplicidade em tortura
O governo britânico pagou uma indenização "significativa" a um detento da base americana em Guantánamo, Cuba, que acusou o Reino Unido de cumplicidade em torturas praticadas pela CIA, anunciou sua advogada nesta segunda-feira (12).
Abu Zubaydah, um palestino apátrida preso há mais de 20 anos sem julgamento, foi o primeiro prisioneiro submetido às técnicas de "interrogatório reforçado" da CIA após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, enquanto era considerado um responsável de alto escalão da Al-Qaeda.
O detento, de 54 anos, apresentou uma ação civil contra o Reino Unido, acusando os serviços de inteligência britânicos de terem conhecimento da tortura e de enviarem "inúmeras perguntas" à CIA para seus interrogatórios.
De acordo com sua advogada Helen Duffy, seu cliente e o governo britânico chegaram a um acordo financeiro para encerrar o caso, embora o valor não tenha sido divulgado.
A advogada afirmou que "o Reino Unido pagará por seu papel na tortura infligida a este homem", considerando que este acordo "oferece a ele uma forma de reparação e um reconhecimento implícito de seu sofrimento intolerável nas mãos da CIA".
"A indenização é significativa, mas claramente insuficiente para cumprir as obrigações do Reino Unido", acrescentou a advogada.