'Chantagem' dos EUA à Groenlândia 'deve cessar', diz ministro francês
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, exortou os Estados Unidos a "cessar a chantagem" para obter controle direto sobre o território da Groenlândia, em uma entrevista difundida neste sábado (10) por vários veículos de informação europeus.
Barrot afirmou que "não acredita" em uma intervenção militar americana para se apoderar da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, como foi mencionado pelo presidente Donald Trump, e acrescentou que "nada justificaria isso".
"A Groenlândia é um território europeu, sob a proteção da Otan [...] Acrescento que os europeus dispõem de meios muito poderosos para defender seus interesses. Essa chantagem deve cessar", acrescentou Barrot, na entrevista publicada por Ouest-France e os veículos alemão Funke e polonês Gazeta Wyborcza.
Trump disse na sexta-feira que Rússia ou China esperam "ocupar a Groenlândia". "É o que vão fazer se nós não o fizermos", apontou.
Durante uma reunião com executivos da indústria petrolífera, centrada na exploração desse recurso na Venezuela, Trump advertiu que cumprirá seu propósito na Groenlândia "por bem ou por mal".
Uma declaração que foi respondida na própria sexta-feira pelos líderes dos cinco partidos do Parlamento de Groenlândia: "Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses."
Colônia do país escandinavo até 1953, a Groenlândia, rica em recursos minerais e transformada em rota marítima estratégica pelo degelo no Ártico, obteve sua autonomia 26 anos mais tarde.
Desde 1951 existe um acordo de defesa entre Estados Unidos e Dinamarca, que dá praticamente carta branca às forças norte-americanas em território groenlandês, mediante notificação prévia às autoridades locais.
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