Na OEA, Brasil chama captura de Maduro pelos EUA de sequestro
Embaixador Belli afirma que ação militar dos EUA na Venezuela é "afronta gravíssima à soberania" desse país e "ameaça a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso".O governo brasileiro classificou nesta terça-feira (06/01), na reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada em Washington, de sequestro a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. "Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável", afirmou o representante permanente do Brasil na OEA, Benoni Belli. Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes da diplomacia brasileira haviam se referido como captura à ação das forças especiais americanas que, no sábado passado, resultou na detenção de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A palavra sequestro também foi usada pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e por várias autoridades venezuelanas. Em seu discurso, no qual não mencionou expressamente os Estados Unidos, Belli reiterou que os ataques à Venezuela representam "uma afronta gravíssima à soberania" desse país e "ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso". "As agressões militares conduzem a um mundo em que a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios", afirmou. Além disso, ele ressaltou que a Carta das Nações Unidas foi "claramente violada" e reafirmou a América Latina e o Caribe como uma "zona de paz". "A ação que acaba de ocorrer (...) evoca os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe", declarou. Nesse contexto, o diplomata afirmou que o Brasil "está determinado a agir" em prol da "preservação do patrimônio regional da paz". "O Brasil está convencido de que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos e livre de interferências externas, pode conduzir a uma solução que respeite a vontade do povo venezuelano e a dignidade humana no país", concluiu. Em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira, o embaixador do Brasil, Sérgio Danese, também disse que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificariam os meios na intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela. O governo brasileiro reconheceu já no sábado, poucas horas após a captura de Maduro em Caracas e sua transferência para Nova York para responder por acusações de narcoterrorismo, a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. Lula e Delcy, que tomou posse como presidente interina no parlamento venezuelano, também conversaram brevemente por telefone para abordar a situação da Venezuela após os bombardeios dos EUA. as (Efe, Agência Brasil)
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