Dinamarca recebe apoio de europeus após ameaças de Trump à Groenlândia

Dinamarca recebe apoio de europeus após ameaças de Trump à Groenlândia

Autor DW Tipo Notícia

UE diz que território não está à venda, e líderes de vários países europeus pedem respeito à soberania nacional e integridade territorial.A Comissão Europeia e vários chefes de governo de países da Europa saíram em apoio à Dinamarca nesta segunda-feira (05/01), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou a ameaça de se apropriar do território autônomo dinamarquês da Groenlândia. Após as declarações, a Casa Branca reiterou o interesse sobre o território e afirmou que Trump considera "uma série de opções" para a Groenlândia, incluindo estratégias militares. A Comissão Europeia declarou que a Groenlândia não é "um pedaço de terra à venda" e que "continuará defendendo os princípios da soberania nacional, da integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras". O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, foi um dos primeiros a expressar apoio à Dinamarca. "Groenlândia e Reino da Dinamarca devem decidir o futuro da Groenlândia, e somente Groenlândia e Reino da Dinamarca", afirmou Starmer à emissora BBC. O ministro do Exterior da Alemanha, Johann Wadephul, lembrou que a Groenlândia, como parte da Dinamarca, que é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), seria defendida pela organização diante de uma eventual ameaça ao seu território. Líderes de Espanha, França, Suécia e Noruega ressaltaram que a Groenlândia pertence aos groenlandeses e dinamarqueses, sendo eles os únicos a terem poder de decidir sobre o seu território. As fronteiras "não podem ser alteradas pela força ou pela ameaça do uso da força," destacou o Ministério do Exterior da França. Já o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que "da Ucrânia a Gaza, passando pela Venezuela", o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados é "inegociável". No fim de semana, ele havia se destaco como um dos líderes europeus mais críticos na reação ao ataque dos EUA à Venezuela, em que o presidente Nicolás Maduro foi capturado. Repetidas ameaças A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, já havia apelado para que os Estados Unidos cessassem as ameaças. Ela disse levar a sério as intenções de Trump e não descartou a possibilidade de Washington agir para impor seus interesses. O presidente americano mencionou duas vezes no domingo, na sequência da operação por ele comandada na Venezuela, o interesse dos EUA pela Groenlândia por questões de segurança. "Vamos nos preocupar com a Groenlândia daqui a dois meses. Falemos da Groenlândia daqui a 20 dias", respondeu inicialmente Trump, ao ser questionado sobre o tema por repórteres, para depois destacar o valor estratégico do território. Segundo ele, a Groenlândia está cercada por navios da Rússia e da China e a Dinamarca "não será capaz" de garantir sua segurança. Os EUA já possuem ali uma base militar e operaram cerca de outras dez durante a Guerra Fria. O chefe da Casa Branca já afirmara outras várias vezes no ano passado que os EUA precisam da Groenlândia, sugerindo que poderia explorar opções para que ela passasse a estar sob jurisdição americana. "Não devemos entrar em pânico" Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que as relações entre países e povos se constroem a partir do respeito e com base no direito internacional, e não em gestos simbólicos "que ignoram o nosso estatuto e os nossos direitos". Ao mesmo tempo, tanto ele quanto Frederiksen se afastaram de demonstrações de temor pela sua integridade territorial. "Acredito na democracia e na ordem internacional baseada em normas", afirmou a primeira-ministra dinamarquesa. "A situação não é tal que os Estados Unidos possam conquistar a Groenlândia. Por isso, não devemos entrar em pânico," apontou Nielsen. "Devemos restabelecer a boa cooperação que tínhamos." Segundo ele, o governo do território adotará agora uma postura mais firme. O primeiro-ministro recusou, entretanto, qualquer paralelo com a Venezuela. "O nosso país não é comparável à Venezuela. Somos um país democrático. Temos sido assim há muitos e muitos anos." A nomeação no último mês do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial dos EUA para a Groenlândia também desencadeou críticas dos governos dinamarquês e groenlandês, bem como um protesto formal junto ao embaixador americano. A Groenlândia tem uma população de cerca de 57 mil habitantes em 2,1 milhões de quilômetros quadrados e depende da renda da pesca e da ajuda econômica anual da Dinamarca, que cobre cerca de metade de seu orçamento. Segundo uma pesquisa divulgada em janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses opõem-se à anexação aos Estados Unidos, e apenas 6% são favoráveis. ht/as (Efe, Lusa)

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