Civis fogem de bairros curdos da cidade síria de Aleppo, declarados 'zona militar'

Civis fogem de bairros curdos da cidade síria de Aleppo, declarados 'zona militar'

Civis fugiram em massa nesta quarta-feira (7) dos bairros curdos de Aleppo, no norte da Síria, declarados "zona militar" pelo Exército sírio, que estabeleceu "corredores humanitários" para a saída dos moradores.

Confrontos esporádicos opõem forças governamentais e curdas, que controlam dois bairros, um dia após episódios de violência que deixaram nove mortos.

Em março, foi assinado um acordo para integrar até o fim de 2025 as Forças Democráticas Sírias (FDS, de maioria curda) ao Estado sírio, mas as negociações para sua implementação estão paralisadas.

"Os bairros de Sheikh Maqsud e Ashrafieh serão considerados zona militar a partir das 12h00 GMT (9h00 no horário de Brasília)", anunciou o Exército sírio. A força informou que abrirá dois "corredores humanitários" para a fuga de civis antes desse prazo.

Correspondentes da AFP viram um grande número de famílias, com crianças, fugindo com bagagens. Algumas choravam.

Os confrontos que começaram na terça-feira são os mais violentos até agora entre as forças do governo sírio e as curdas, que não conseguem aplicar o acordo de março.

Os curdos controlam vastas áreas no nordeste do país, ricas em petróleo e trigo.

Apoiadas pelos Estados Unidos, as FDS estiveram na linha de frente do combate ao grupo jihadista Estado Islâmico, derrotado na Síria em 2019.

No entanto, desde a derrubada do presidente Bashar al-Assad em dezembro de 2024, os curdos mantêm relações tensas com o poder central.

Uma funcionária curda, Elham Ahmed, acusou as autoridades sírias de conduzir "uma guerra genocida" contra os curdos e pediu que "resolvam os problemas por meio do diálogo".

Na manhã de terça-feira, as FDS afirmaram que grupos aliados às forças governamentais atacaram "o bairro de Sheikh Maqsud com um drone de reconhecimento, matando um morador e ferindo outros dois".

Posteriormente, indicaram que o balanço subiu para três civis mortos, entre eles duas mulheres, vítimas de "bombardeios indiscriminados de artilharia e mísseis das facções do governo de Damasco" em Sheikh Maqsud e Ashrafiyeh.

Um comunicado do Ministério da Defesa sírio, citado pela agência oficial Sana, afirmou na terça-feira que as FDS atacaram "vários bairros da cidade de Aleppo adjacentes às zonas que controlam", causando cinco mortes.

O ministério também informou uma morte em um ataque contra uma posição do Exército.

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