Apetite de Trump pela Groenlândia submete Otan a forte pressão

Apetite de Trump pela Groenlândia submete Otan a forte pressão

A hipótese de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Groenlândia, mencionada pela Casa Branca como uma das "opções" em cima da mesa, submete a Otan a uma pressão sem precedentes.

A Dinamarca, que inclui a Groenlândia, é membro da aliança militar transatlântica, e um ataque dos Estados Unidos contra outro integrante da Otan seria "o fim de tudo", advertiu a chefe do governo dinamarquês, Mette Frederiksen.

Em Bruxelas, todos se perguntam se esta é uma ameaça séria, uma tática de negociação ou uma jogada para impressionar.

- "Opção à disposição" -

Desde seu primeiro mandato presidencial (2017-2021), Donald Trump considera que a Groenlândia é indispensável para a segurança dos Estados Unidos.

Na terça-feira (6), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que "o presidente e sua equipe estão discutindo várias opções para cumprir esse importante objetivo de política externa e, claro, o uso do Exército americano é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe".

Para o presidente da França, Emmanuel Macron, é inimaginável que os Estados Unidos se coloquem "em uma situação de violar a soberania dinamarquesa".

Jeff Landry, nomeado no fim de dezembro por Trump como enviado especial para a Groenlândia, tentou acalmar os ânimos. "Não acho que seja disso que ele esteja falando", afirmou.

- Uma via militar -

Os Estados Unidos não teriam nenhuma dificuldade para invadir a Groenlândia, um território gelado de cerca de 57 mil habitantes, onde o Exército americano já está presente.

"Ninguém combaterá militarmente os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia", disse o chefe adjunto de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller.

Nos corredores da Otan, ninguém quer imaginar esse cenário. Mas, "diante da retórica persistente, não podemos ter total certeza", acrescentou um diplomata da aliança sob a condição do anonimato.

As consequências para a Otan seriam devastadoras, já que, pela primeira vez, um país-membro do bloco atacaria outro.

Por isso, a Otan procura, por ora, se manter cuidadosamente à margem.

"Não acho que esse tema venha a ser tratado no âmbito da Otan, para evitar qualquer divisão", explicou outro diplomata em Bruxelas.

Além disso, a aliança se ocupa apenas de "ameaças militares externas, e não de problemas internos entre os países do bloco", acrescentou a fonte.

- Encontrar uma forma de responder -

Para o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, a hipótese de uma ação de força americana é impensável.

Segundo o chefe da aliança, Estados Unidos e Dinamarca compartilham, na prática, o mesmo objetivo: garantir a segurança do Ártico diante das ambições da Rússia ou da China. Por isso, não é necessário que Washington anexe esse território, onde já existem bases americanas.

"Os dinamarqueses não teriam nenhum problema com uma presença americana mais significativa do que a atual", assegurou Rutte.

Vários países europeus da aliança querem responder aos Estados Unidos de maneira "contundente", disse o chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot.

França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido também expressaram, na terça-feira, apoio à Dinamarca em uma declaração conjunta.

Por sua vez, o ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, disse estar "convencido de que, nos próximos dias, serão tomadas iniciativas, nos bastidores ou publicamente, para sair dessa situação".

"Ninguém tem interesse em uma disputa dentro da Otan, exceto nossos inimigos", afirmou.

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