Tailândia acusa o Camboja de 'violar' cessar-fogo na fronteira e ferir um soldado
A Tailândia acusou o Camboja, nesta terça-feira (6), de violar um cessar-fogo de 10 dias, alegando que disparos de morteiro feriram um soldado, enquanto Phnom Penh afirmou que foi a explosão de "uma pilha de lixo" que feriu dois de seus soldados.
O Exército tailandês disse ter alertado as forças cambojanas para que tomassem precauções e que poderia retaliar caso um incidente semelhante ocorresse.
Em 27 de dezembro, um cessar-fogo pôs fim a três semanas de combates entre os dois países do Sudeste Asiático, que deixaram pelo menos 47 mortos e quase um milhão de deslocados em ambos os lados.
O conflito decorre de uma antiga disputa sobre a demarcação de sua fronteira de 800 quilômetros, estabelecida durante o período colonial francês, assim como sobre uma série de templos antigos localizados ao longo da linha divisória.
"O Camboja violou o cessar-fogo" ao disparar "projéteis de morteiro na área de Chong Bok", afirmou o Exército tailandês em um comunicado nesta terça-feira.
"Um soldado ficou ferido", acrescentou, sem especificar a gravidade dos ferimentos.
No entanto, o Exército tailandês afirmou em um comunicado posterior que o lado cambojano havia contatado uma unidade militar tailandesa e assegurado que "o incidente foi causado por um erro operacional do pessoal cambojano".
A porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, indicou que dois soldados cambojanos ficaram feridos, um deles gravemente, na manhã desta terça-feira, quando "ocorreu uma explosão em uma pilha de lixo".
O incidente aconteceu enquanto as forças cambojanas realizavam operações de "organização e ordem" na província de Preah Vihear, perto da fronteira com a Tailândia, acrescentou a porta-voz em um comunicado.
Ela não mencionou o soldado ferido relatado pela Tailândia, mas confirmou que as equipes de coordenação de fronteira de ambos os países se consultaram sobre o incidente.
O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, declarou que seu governo protestou junto ao Camboja, considerando que "a trégua foi violada".
"Em nível militar, fomos informados de que o incidente foi acidental, mas estamos buscando esclarecimentos sobre como as responsabilidades serão atribuídas", disse Anutin a repórteres.
Os dois países já haviam entrado em confronto em julho, resultando em 43 mortes ao longo de cinco dias.
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