Primeiros incêndios do ano deixam Patagônia argentina em alerta

Primeiros incêndios do ano deixam Patagônia argentina em alerta

Milhares de hectares de floresta foram devastados pelo fogo nesta terça-feira (6) em diversos pontos da Patagônia argentina, onde um alerta vermelho está em vigor devido às condições extremas, um ano após os piores incêndios florestais na região em três décadas. 

O foco mais importante está em Puerto Patriada, na província de Chubut, com 1.800 hectares afetados, informou hoje o governador Ignacio Torres ao canal LN+. Segundo ele, as chamas destruíram dez casas no setor, e residências na localidade vizinha de Epuyén estavam sendo evacuadas por precaução.

Segundo a Agência Federal de Emergências, 564 hectares em outros dois pontos das províncias de Chubut e Santa Cruz também tinham focos ativos.

Mais de 3 mil hectares adicionais se encontravam em estado de incêndio "controlado" ou "contido", ou seja, com chamas ou brasas, mas sem expectativa de propagação.

"Isso avança a passos gigantes", disse à AFP a estilista e costureira Belén Moreno, de 39 anos, que vive a poucos quilômetros de Puerto Patriada. Seu companheiro e outros moradores da região colaboravam de forma voluntária com os bombeiros na luta contra as chamas.

O fogo nesse setor, parte da localidade de 4.200 habitantes de El Hoyo, começou na tarde de ontem e avançou em poucas horas, devido às condições climáticas. "Há vários anos temos incêndios nesta época. Então, quando avistamos fumaça no céu, ficamos todos muito atentos", disse Belén.

Os ventos fortes, as altas temperaturas e a seca criam um cenário de risco no começo de 2026, o que levou o Serviço Nacional de Gestão do Fogo a decretar o alerta vermelho de perigo de incêndio até sexta-feira em oito províncias do centro-sul do país.

Os moradores da Patagônia andina ainda têm na memória as imagens de janeiro e fevereiro de 2025, quando cerca de 32 mil hectares foram queimados. "A superfície queimada quadruplicou em comparação com a temporada anterior. Devido a seu impacto e magnitude, foram os piores incêndios florestais das últimas três décadas na região", disse à AFP Hernán Giardini, coordenador do Programa de Florestas do Greenpeace Argentina.

Segundo o ativista, houve cortes do governo do presidente Javier Milei na Administração de Parques Nacionais, que concentra 30% das florestas andino-patagônicas da Argentina. "Contam com apenas 400 brigadistas, quando o mínimo deveria ser 700 para cobrir cerca de 5 milhões de hectares sob sua jurisdição e auxiliar as províncias quando são convocados", disse Giardini.

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