Irã usa gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes no bazar de Teerã
As forças de segurança do Irã dispararam gás lacrimogêneo, nesta terça-feira (6), para dispersar manifestantes que entoavam palavras de ordem contra as autoridades clericais no bazar de Teerã, segundo organizações de direitos humanos e imagens publicadas em redes sociais.
A República Islâmica enfrenta a mais grave onda de protestos desde as manifestações de 2022-2023, desencadeadas pela morte sob custódia de Mahsa Amini, detida por supostamente violar os rígidos códigos de vestimenta para as mulheres.
Os protestos atuais foram provocados pelo descontentamento diante do aumento do custo de vida e começaram em 28 de dezembro, após comerciantes fecharem o bazar de Teerã, um centro econômico crucial.
Posteriormente se estenderam a outras áreas, especialmente ao oeste, onde vivem minorias de curdos e luros.
A agência de notícias Fars informou sobre "concentrações esporádicas" em torno do bazar de Teerã. Algumas de suas áreas, incluindo o mercado do ouro, fecharam "a partir do meio-dia em protesto contra o aumento das taxas de câmbio e a instabilidade dos preços".
Em imagens do bazar verificadas pela AFP nas redes sociais, também é possível ouvir manifestantes gritando palavras de ordem como "Pahlavi voltará" e "Sayid Ali será derrubado", em referência à monarquia deposta pela revolução islâmica de 1979 e ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
As forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo contra os manifestantes e foi possível ver fumaça saindo do bazar, enquanto as pessoas se dispersavam.
Os protestos, iniciados há dez dias, ainda não atingiram a magnitude do movimento de 2022-2023, e muito menos a das manifestações em massa de 2009 após a controversa eleição.
Ao menos 12 pessoas morreram, incluindo membros das forças de segurança, desde o início dos protestos, segundo mídias iranianas, que citam fontes oficiais. ONGs fora do Irã alertam que o número real pode ser muito maior.
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