Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela
Irmão da primeira mulher a governar o país é reeleito presidente da Assembleia Nacional e consolida domínio dos aliados de Nicolás Maduro. Lula conversou com Delcy no dia do ataque dos EUA, diz Planalto.A Assembleia Nacional da Venezuela empossou nesta segunda-feira (05/01) Delcy Rodríguez como presidente interina do país, dois dias depois dos ataques americanos em solo venezuelano que resultaram na captura de seu antecessor, Nicolás Maduro. A ex-vice de Maduro – cargo que ocupava desde desde 2018 – , que já sinalizou uma predisposição para cooperar com os Estados Unidos, prestou juramento em uma cerimônia na sede do Legislativo. Ela disse que o fazia "em nome de todos os venezuelanos" e afirmou sentir dor "pelo sequestro de nossos heróis, os reféns nos Estados Unidos", se referindo a Maduro e à sua esposa, Cilia Flores, que enfrentam acusações de tráfico de drogas em um tribunal de Nova York, juntamente com outros funcionários venezuelanos. Os parlamentares, que também tomaram posse nesta segunda-feira, elegeram o irmão de Delcy, Jorge Rodríguez, como presidente da Assembleia. Ele e os demais legisladores deram início a um novo mandato de cinco anos no Parlamento. Sua reeleição consolida o poder nas mãos dos partidários de Maduro e do ex-presidente Hugo Chávez. Até onde vai o poder da nova presidente? Reconhecida como presidente interina da Venezuela no fim de semana pela Suprema Corte e pelas Forças Armadas do país, Rodríguez pode ser apenas mais uma peça no complicado tabuleiro de xadrez político que se tornou o país sul-americano. Trump insistiu no domingo que os Estados Unidos estão "no comando" da Venezuela e que discute os próximos passos com as novas autoridades venezuelanas, lideradas por Rodríguez . "Não me perguntem quem está no comando, porque darei uma resposta muito controversa", disse Trump a repórteres, quando indagado se havia conversado com Rodríguez. Ao ser questionado sobre o que queria dizer, Trump respondeu: "Significa que nós estamos no comando." O governo americano afirma estar disposto a trabalhar com o restante do governo Maduro, desde que os objetivos de Washington sejam atendidos, particularmente a abertura do acesso de investimentos americanos às vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo. Mas a posição de Rodríguez também é delicada. As exigências de Washington são bastante específicas: o rompimento das relações com os aliados Rússia e China e o retorno das empresas petrolíferas americanas ao país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo. O papel dos militares Trump quer o acesso ao petróleo da Venezuela e aumentar sua influência geopolítica na região. Até agora, não houve apelos por reformas democráticas ou eleições livres. Aparentemente, a Venezuela deve retornar à esfera de influência americana sob uma liderança cooperativa – com ou sem legitimidade democrática. No quadro atual, os militares continuam sendo decisivos. Considerados um fator fundamental de poder na Venezuela, eles vinham se mostrando leais ao governo autoritário de Maduro. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, por ora, está do lado de Rodríguez. Em caso de mudança de regime, os militares temeriam perder seus privilégios econômicos. Além disso, parte deles está ligada a prisões arbitrárias, tortura e assassinatos de membros da oposição, o que pode fazer com que alguns deles sejam levados a julgamento. Lula conversou com Rodríguez por telefone O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone no último sábado com Delcy Rodríguez, então vice-presidente venezuelana, pouco depois da captura de Maduro e de sua esposa pelos militares americanos, informou nesta segunda-feira o Palácio do Planalto. Eles conversaram brevemente sobre os acontecimentos no país que acabara de ser bombardeado pelos EUA como parte da operação militar para prender Maduro e levá-lo a julgamento nos Estados Unidos. Na conversa, Rodríguez confirmou a captura do líder venezuelano, mas ainda não tinha maiores informações sobre seu paradeiro. Lula tem criticado a intervenção dos EUA na Venezuela. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", disse o presidente em nota, horas após a ação americana. O Brasil reconheceu Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela no sábado, na ausência de Maduro. rc (Reuters, EFE, ots)
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