Cresce apoio internacional por Urrutia na liderança da Venezuela

Cresce apoio internacional por Urrutia na liderança da Venezuela

Autor DW Tipo Notícia

Após captura de Maduro, líderes mundiais defendem Edmundo González Urrutia como presidente legítimo e pedem transição democrática no país. Opositor exilado na Espanha se diz o vencedor do pleito de 2024.A Venezuela vive o dilema de quem governará o país após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas no sábado (03/01) . Embora as forças militares tenham reconhecido Delcy Rodríguez, vice-presidente de Nicolás Maduro, como presidente interina, e o presidente americano, Donald Trump, tenha afirmado que os Estados Unidos "estão no comando" da Venezuela, cresce a pressão internacional para que o posto seja ocupado por Edmundo González Urrutia . O opositor venezuelano reivindica vitória nas eleições presidenciais de julho de 2024. Na época, o pleito foi amplamente questionado por parte da população venezuelana e pela comunidade internacional. Grande parte dos observadores internacionais consideraram a eleição não legítima. As atas eleitorais nunca foram publicadas por completo e a oposição divulgou, de forma independente, cópias das atas a que teve acesso, de cerca de 80% das mesas eleitorais. Urrutia chegou a se declarar o vencedor legítimo, contando com o apoio de países como os EUA. Agora, com a captura de Maduro e uma lacuna no poder, diversos governos ocidentais e líderes políticos manifestaram apoio à legitimidade de Urrutia como presidente eleito. Entre eles está o presidente francês, Emmanuel Macron . " A transição que se inicia deve ser pacífica, democrática e respeitar a vontade do povo venezuelano. Esperamos que o presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, consiga garantir essa transição o mais breve possível", escreveu Macron na plataforma X. Caracas não tardou em responder. Por meio do Ministério das Relações Exteriores, o governo venezuelano classificou os comentários de Macron como "insolentes" e disse que eles "constituem uma interferência inaceitável nos assuntos internos de um Estado soberano". No domingo, em entrevista à France 2, o Ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, disse que, após a captura de Maduro , "o primeiro passo é a libertação dos presos políticos, e o segundo é precisamente uma transição que leve em conta que, há um ano, o povo venezuelano se manifestou e elegeu um presidente da República que deve desempenhar um papel central nessa transição". Apoio na América Latina Na América Latina, países como Panamá, Argentina e Equador também se pronunciaram em favor do reconhecimento de Urrutia como presidente legítimo. Ainda no sábado, o governo equatoriano sinalizou apoio ao opositor de 76 anos. Por meio de um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, o Executivo equatoriano indicou que "valoriza ações que permitam ao povo venezuelano recuperar as instituições democráticas e o Estado de Direito". O texto acrescenta que "o Equador espera a rápida reintegração da Venezuela às democracias plenas da região, com as autoridades legitimamente eleitas exercendo seu mandato constitucional em 2024". O governo do presidente Daniel Noboa foi um dos primeiros a questionar os resultados das eleições presidenciais venezuelanas. Aliado de Trump, Noboa foi ainda mais direto em seu perfil no X: "A todos os narcotraficantes chavistas: chegou a hora de vocês. Sua estrutura irá ruir em todo o continente. A María Corina Machado , Edmundo González Urrutia e ao povo venezuelano: é hora de recuperar o seu país. Vocês têm um aliado no Equador", declarou em uma postagem. Machado era favorita às eleições presidenciais na Venezuela, mas foi impedida de concorrer ao pleito após ser considerada inelegível pelo regime de Nicolás Maduro. Por sua luta pelos direitos democráticos do povo venezuelano recebeu o Prêmio Nobel da Paz 2025. A ideia de ter Urrutia na liderança da Venezuela também foi defendida pelo presidente argentino, Javier Milei . "González Urrutia deve assumir a presidência. Ele venceu as eleições, tem um mandato a cumprir, é o presidente eleito. Maduro foi um usurpador do poder". Seu homólogo panamenho, José Raúl Mulino, também defendeu um processo que levasse González Urrutia ao poder e afirmou que não reconheceria Delcy Rodríguez como chefe de Estado. "Meu governo não reconhecerá Delcy Rodríguez como presidente interina, ou como quer que a chamem, da Venezuela. É a mesma história de sempre. [...] Não tínhamos relações políticas com Maduro, então não as teremos com Delcy Rodríguez", declarou Mulino. Nobel e líderes europeus também se posicionam Também o ganhador do Prêmio Nobel da Paz e ex-presidente da Costa Rica, Óscar Arias, manifestou apoio à ideia. "Após ouvir a coletiva de imprensa do presidente Donald Trump, lamento que, em vez de legitimar e fortalecer as autoridades legitimamente eleitas, o governo dos Estados Unidos pretenda administrar a Venezuela e substituir seus verdadeiros líderes, que gozam de comprovado apoio popular: Edmundo González Urrutia e María Corina Machado", declarou Arias nas redes sociais. Paulo Rangel, ministro das Relações Exteriores de Portugal, afirmou que seu país considera "uma solução aceitável e talvez até preferível" que González Urrutia assuma a liderança na Venezuela. No entanto, ressaltou que isso pode não acontecer imediatamente, pois a situação "ainda é incerta" e eleições podem ser convocadas. Kaja Kallas, vice-presidente da Comissão Europeia, emitiu uma declaração afirmando que "respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo a única maneira de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual". Urrutia defende formação de novo governo Do exílio na Espanha, Urrutia agradeceu o apoio internacional e reiterou que a captura de Maduro "é um passo importante, mas insuficiente". Ele defende a libertação imediata dos presos políticos e a formação de um governo de unidade nacional para consolidar a democracia. María Corina Machado, que foi impedida de concorrer em 2024, também exige que Urrutia assuma o poder, alegando que isso é condição para uma transição legítima. Em mensagem recente, ela pediu à comunidade internacional que pressione por respeito à vontade popular. "Os venezuelanos agradecem ao presidente Donald Trump e à sua administração pela firmeza e determinação em defender a lei. A Venezuela será o principal aliado dos Estados Unidos em segurança, energia, democracia e direitos humanos", escreveu Machado em um post nas redes sociais. Estados Unidos no comando da Venezuela Trump disse no domingo que os EUA estão discutindo os próximos passos com as novas autoridades venezuelanas, lideradas pela presidente interina. Rodríguez disse que estava pronta para cooperar com o governo Trump e defendeu uma relação equilibrada e respeitosa com os EUA. "Estendemos um convite ao governo dos Estados Unidos para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, voltada para o desenvolvimento compartilhado", disse Rodríguez após presidir a primeira reunião de gabinete desde a captura de Maduro. ip/le (efe, afp, ots)

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