Aquecimento do clima acelera mortalidade das árvores na Austrália, diz estudo
O número de árvores que morrem na Austrália é cada vez maior e tende a se acelerar à medida que o clima esquenta, advertiu um estudo publicado nesta terça-feira (6) na revista Nature Plants, baseado em dados compilados durante décadas.
O estudo coletou dados do inventário florestal de 2.700 parcelas em todo o país e em quatro ecossistemas diferentes que incluem a savana tropical, a floresta temperada fresca, a floresta temperada quente e a floresta tropical úmida.
"Observamos que a taxa de mortalidade aumentou de forma constante ao longo do tempo em todos os tipos de florestas", declarou Belinda Medlyn, professora do Instituto Hawkesbury para o Meio Ambiente da Universidade Ocidental de Sydney.
"E este aumento se deve muito provavelmente ao aumento das temperaturas", explicou à AFP a pesquisadora em fisiologia vegetal.
As zonas afetadas pela exploração florestal, o desmatamento e os incêndios foram excluídas das pesquisas a fim de examinar como a "mortalidade natural das árvores" evoluiu nas últimas décadas.
O estudo revela que o maior aumento da mortalidade foi observado nas savanas tropicais. Ali, a taxa de mortalidade das árvores aumentou, em média, 3,2% ao ano, passando de quase 15 por 1.000 em 1996 para quase o dobro em 2017.
As pesquisas demonstraram que a morte das árvores não é compensada por seu crescimento, o que provoca uma diminuição geral das reservas florestais.
Portanto, é "muito provável que a capacidade global de armazenamento de carbono das florestas diminua com o tempo", ressaltou Medlyn.
Um estudo publicado meses antes revelou que as florestas tropicais úmidas da Austrália estavam entre as primeiras do mundo em emitir mais dióxido de carbono do que absorviam.
O planeta esquentou quase 1,2º C, em média, desde a era pré-industrial. A maior parte deste aquecimento ocorreu nos últimos 50 anos.
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