Venezuela sem Maduro empossa presidente interina
A Venezuela empossou sua nova presidente no mesmo dia em que Nicolás Maduro enfrentou seu juiz nos Estados Unidos.
Delcy Rodríguez assumiu formalmente o poder de forma interina diante do novo Parlamento, que manteve sua maioria chavista e iniciou suas funções nesta segunda-feira (5).
Rodríguez era a vice-presidente de Maduro, capturado junto com a esposa, Cilia Flores, durante um bombardeio americano à Venezuela. Ele enfrenta acusações de narcotráfico e terrorismo perante um tribunal em Nova York, onde se declarou não culpado.
A primeira mulher a governar a Venezuela assumiu o cargo de forma temporária por 90 dias, prorrogáveis. Uma declaração de ausência absoluta de Maduro resultaria na convocação de eleições.
"Venho com pesar pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos", disse Rodríguez, empossada por seu irmão, o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez. "Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos", prosseguiu.
Em paralelo, milhares de pessoas marcharam em Caracas para pedir a libertação de Maduro e de Cilia Flores, a primeira-dama.
"Maduro, aguenta, que a Venezuela se levanta!", gritavam os manifestantes sob o forte sol de Caracas.
— "Dar a vida por eles" —
Os arredores do Parlamento foram fortemente protegidos pelas forças de segurança.
Está em vigor um estado de exceção, que ordena à polícia "empreender de maneira imediata a busca e captura em todo o território nacional de toda pessoa envolvida na promoção ou apoio do ataque armado dos Estados Unidos".
"Trump–Marco Rubio, malditos assassinos sequestradores. Onde está realmente a verdadeira justiça nos EUA?", lia-se em um cartaz na manifestação.
"Independentemente de Nicolás Maduro ter algum problema com a Justiça, essa não era a forma de fazer isso", disse à AFP Flor Alberto, de 32 anos, em referência à operação militar americana, que incluiu bombardeios em outros três estados além da capital.
"Há um povo que está disposto a dar a vida por eles", afirmou por sua vez Antony Quintana, de 39 anos.
O filho de Maduro, o parlamentar Nicolás Maduro Guerra, saiu do ato de posse de Rodríguez para participar da marcha.
Ele disse que teve uma comunicação "indireta" com seu pai. "Não posso dizer mais nada", ponderou.
"Lá temos uma boa equipe que está nos apoiando e ajudando a defender a dignidade", acrescentou o deputado, conhecido popularmente como "Nicolasito".
— "Apoio incondicional" —
Maduro Guerra segurou a cópia da Constituição sobre a qual Rodríguez prestou juramento, e ela indicou que assume o cargo em "horas terríveis de ameaça contra a estabilidade e a paz da nação".
O filho de Maduro havia lhe expressado antes seu "apoio incondicional". "A pátria está em boas mãos, papai, e em breve vamos nos abraçar aqui na Venezuela", exclamou, aos prantos.
Militares prestaram honras a Rodríguez ao término da cerimônia. A Força Armada reconheceu no domingo sua designação.
"Temos plena confiança nela e, como mulher, a primeira mulher presidente da Venezuela, que calce bem as botas, porque ela é guerreira", expressou na marcha María Montezuma, de 70 anos.
"Que não se dobre nem se ajoelhe, porque o povo estará apoiando", acrescentou.
Rodríguez defendeu uma relação equilibrada e respeitosa com o presidente Donald Trump, que afirmou estar "no comando" da Venezuela.
— "Meu irmão, meu presidente" —
A posse foi o primeiro assunto tratado pela Assembleia Nacional eleita em maio de 2025, que ratificou Jorge Rodríguez no cargo.
Delcy Rodríguez o encarregou de buscar a libertação de Maduro e de Flores.
"Minha função principal nos dias que virão (...) será recorrer a todos os procedimentos, a todas as tribunas e a todos os espaços para conseguir trazer de volta Nicolás Maduro Moros, meu irmão, meu presidente", disse o parlamentar, que foi o principal negociador de Maduro.
Uma fotografia do casal presidencial foi exibida na tribuna de oradores do plenário, e o chefe da Câmara ordenou que uma flor vermelha ocupasse a cadeira de Flores.
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