Petroleiras dos EUA só voltam à Venezuela com regime confiável, afirma Atlantic Council
O presidente do Grupo Consultivo de Energia do Centro Global de Energia do think thank Atlantic Council, David Goldwyn, vê poucas empresas dos Estados Unidos retornando à Venezuela até que haja um regime legal e fiscal confiável e uma situação de segurança estável.
"As empresas que têm operações existentes são muito mais propensas a revivê-las e expandi-las se o ambiente for seguro", diz o especialista, ao comentar o ataque dos EUA e a queda do ditador Nicolás Maduro.
As petroleiras americanas foram expulsas pela nacionalização da indústria petrolífera da Venezuela em 1976, lembra Goldwyn. Atualmente, somente a americana Chevron mantém operações no país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ontem que enviará as grandes empresas americanas para reconstruir a indústria petroleira da Venezuela. "Vamos ter as grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo. Vão em frente, gastem bilhões", disse Trump, neste sábado, 03, em coletiva de imprensa.
É "altamente incerto" como a administração dos EUA abordará as exportações de petróleo e a gestão dessas receitas, observa Goldwyn. Um caminho, diz, é permitir que a Venezuela exporte, expanda o licenciamento e venda petróleo a preços de mercado. O especialista sugere ainda que essas receitas sejam enviadas para uma conta bloqueada em benefício de um novo governo venezuelano.
Ontem, Trump disse que a riqueza extraída vai para o povo da Venezuela, os que moram dentro e fora do país, mas também vai para os Estados Unidos na forma de reembolso pelos danos de bilhões de dólares causados. Segundo ele, o país de Maduro "unilateralmente apreendeu e vendeu petróleo, ativos e plataformas americanas".
Apesar da queda de Maduro e das falas de Trump, ainda não há detalhes sobre como esses arranjos fiscais e legais evoluirão na Venezuela, diz Goldwyn. "Até que haja clareza sobre sanções e licenciamento e mais informações sobre quem está realmente gerenciando o Banco Central e o Ministério das Finanças, as perspectivas para a produção e exportação de petróleo venezuelano permanecerão incertas", conclui ele, que também é presidente da consultoria Goldwyn Global Strategies.
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