O que se sabe sobre os bombardeios dos EUA na Venezuela

O que se sabe sobre os bombardeios dos EUA na Venezuela

Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques aéreos contra a Venezuela durante a madrugada deste sábado (3), e o presidente Donald Trump afirmou que as forças de seu país haviam capturado e retirado do território venezuelano o presidente Nicolás Maduro.

— Quando os ataques foram lançados? —

As primeiras explosões fortes foram ouvidas pouco antes das 02h00 (03h00 de Brasília) em Caracas e arredores, e continuaram até as 03h15 (04h15), segundo a AFP.

Imagens que circulavam nas redes sociais mostravam mísseis cruzando o céu e depois atingindo seus alvos. Também foram vistos helicópteros sobrevoando Caracas.

"Esta operação, denominada 'Resolução Absoluta', foi discreta e precisa, e foi realizada durante as horas de máxima escuridão de 2 de janeiro. É a culminação de meses de preparação e treinamento", declarou o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto.

Mais de 150 aeronaves foram mobilizadas.

— Quais foram os alvos dos bombardeios? —

Explosões seguidas de colunas de fumaça e incêndios tiveram como alvo o Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, sede do Ministério da Defesa e da Academia Militar.

De grande dimensão, o local abriga não apenas instalações militares, mas também áreas residenciais urbanas para tropas, onde vivem milhares de famílias.

Outras explosões foram ouvidas perto do complexo aeronáutico La Carlota, um aeroporto militar e privado, no leste de Caracas. Um pequeno veículo blindado em chamas e um ônibus carbonizado puderam ser vistos, relataram jornalistas da AFP.

Outras explosões foram registradas no oeste do país, em La Guaira (aeroporto internacional e porto de Caracas), em Maracay, capital do estado de Aragua (100 km a sudoeste de Caracas), e em Higuerote (100 km a leste de Caracas), no estado de Miranda, na costa caribenha.

— Qual é o número de vítimas? —

O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, acusou o Exército dos Estados Unidos de atacar "com mísseis e foguetes disparados de helicópteros de ataque contra zonas residenciais habitadas por civis".

Ao meio-dia, as autoridades venezuelanas ainda não haviam divulgado números de vítimas.

Em declarações à Fox News, Donald Trump manifestou satisfação por nenhum soldado americano ter perdido a vida na operação.

— Como o presidente Maduro foi preso e retirado do país? —

Ninguém sabia exatamente onde o presidente venezuelano estava hospedado, já que circulavam rumores de que ele vinha mudando de residência com frequência nos últimos meses.

Trump afirmou ter acompanhado ao vivo a operação para capturá-lo, "como se fosse um programa de televisão".

"Ele estava em um local muito vigiado (...). Na verdade, era como uma fortaleza", declarou, explicando que Maduro havia tentado entrar em "um quarto de segurança cercada por aço sólido", mas que "o capturaram" antes que conseguisse.

"Eles se renderam sem oferecer resistência", declarou posteriormente o general Caine.

Acusado de "narcoterrorismo", o casal será transferido para Nova York, segundo informou Trump. Neste sábado, o presidente americano publicou em sua rede Truth Social uma foto na qual Maduro aparece algemado e com óculos cobrindo os olhos, a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima, segundo afirmou.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigiu a libertação do casal presidencial e declarou que Maduro é "o único presidente da Venezuela".

Por sua vez, a Rússia instou Washington a libertar "o presidente eleito de um país soberano".

— Qual será o futuro governo? —

Trump disse que os EUA "governarão" a Venezuela até que uma transição política "segura" possa ser instalada no país, embora não tenha especificado como isso será concretizado.

"Chegou a hora da liberdade", declarou a líder opositora venezuelana María Corina Machado, Prêmio Nobel da Paz de 2025.

Ela afirmou que o candidato da oposição às eleições presidenciais de 2024, Edmundo González Urrutia, deve "assumir imediatamente" a presidência "e ser reconhecido como comandante em chefe das Forças Armadas". "A Venezuela será livre", bradou.

"São horas decisivas, saibam que estamos prontos", disse por sua vez González Urrutia desde seu exílio na Espanha.

Mas Trump frustrou essas expectativas, afirmando sobre Machado que "seria muito difícil para ela liderar o país" porque "é uma mulher muito agradável, mas não inspira respeito".

Ele também disse que os Estados Unidos não tiveram nenhum contato com a líder opositora.

"Por enquanto, o ataque de Trump contra a Venezuela não resultou em uma mudança de regime, mas em uma mudança de líder. O regime permanece, e a única coisa que foi alcançada foi capturar Maduro, matar pessoas, violar o direito nacional e internacional e se aventurar no desconhecido", declarou Stephen Wertheim, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional.

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