Conselho Presidencial do Iêmen anuncia que forças lideradas por Riade tomaram província de separatistas
O Conselho Presidencial do Iêmen anunciou neste sábado (3) que forças apoiadas pela Arábia Saudita retomaram a estratégica província de Hadramut, na fronteira com o reino, que havia sido conquistada em dezembro por separatistas apoiados por Abu Dabi.
A tomada de controle dessa província petrolífera pelos separatistas do Conselho de Transição do Sul (STC) desencadeou, como resposta, bombardeios mortais da coalizão liderada pela Arábia Saudita, aliada do governo iemenita.
O recente avanço desses separatistas no sul do país representa uma reviravolta no complexo conflito no Iêmen, que opõe o governo reconhecido pela comunidade internacional e os rebeldes huthis apoiados pelo Irã.
Os huthis tomaram em 2014 a capital Sanaa e amplas partes do norte do país, de onde lançam ataques contra Israel ou contra navios que transitam pelo mar Vermelho.
Riade e Abu Dabi, vizinhos e aliados tradicionais, embora cada vez mais distantes, se opõem a esses rebeldes, mas apoiam facções diferentes dentro do governo iemenita.
As forças do Escudo Nacional "recuperaram todas as posições militares e de segurança da província" de Hadramut no âmbito da operação iniciada na sexta-feira, indicou em um comunicado o chefe do Conselho Presidencial, Rashad al Alimi.
Na sexta-feira, 20 combatentes separatistas morreram nos bombardeios da coalizão militar dirigida pela Arábia Saudita e formada em 2015 para combater os huthis, segundo um responsável militar separatista.
Horas antes, a Arábia Saudita havia convidado "todas as facções do sul" do Iêmen para um "diálogo" com Riade, a fim de pôr fim aos confrontos entre os separatistas e os outros membros da coalizão governamental.
Os Emirados Árabes Unidos, que na sexta-feira retiraram suas últimas forças presentes no Iêmen, também instaram no sábado os iemenitas a "resolverem suas divergências por meio do diálogo".
Os separatistas anunciaram na sexta-feira que iniciariam um processo de transição de dois anos para estabelecer um Estado no sul do país, o mais pobre da península Arábica e devastado por anos de guerra.
No sul do país já existiu uma República Democrática Popular independente entre 1967 e 1990.
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