Conflito na Venezuela pode gerar efeito sobre o mercado financeiro brasileiro, diz Gustavo Cruz

Conflito na Venezuela pode gerar efeito sobre o mercado financeiro brasileiro, diz Gustavo Cruz

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela pode gerar três efeitos no mercado financeiro brasileiro, segundo avaliação do estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz. Dois pontos estão relacionados ao preço do petróleo, enquanto o terceiro envolve uma questão diplomática entre Brasil e Venezuela.

"O primeiro, de curtíssimo prazo, é que a gente pode ter um aumento no preço de petróleo, porque mesmo com as sanções econômicas, tinha navios saindo para outros países, ou seja, a oferta existia até em preços mais baixos, então pode ser que os preços subam um pouquinho", afirmou Cruz.

O especialista ressalta que o impacto ainda depende da resposta da Venezuela ao ataque. Caso o país responda militarmente, desencadeando uma guerra, o risco-país de toda a América Latina tende a subir. "Um gestor global não tem discernimento tão claro do que é risco Venezuela, do que é América do Sul, então pode ser que os países tenham um CDS Credit Default Swap que suba um pouco nesse mês de janeiro", explica.

O segundo ponto destacado por Cruz, que também envolve o preço do petróleo, seria de médio prazo: justamente o contrário do primeiro efeito, com queda na cotação da commodity. "O Trump Donald, presidente dos EUA em 2025, fala nominalmente nas empresas de petróleo americana, que elas seriam regularizadas na Venezuela e que voltariam a explorar petróleo por lá, sem nenhum tipo de restrição. A Venezuela é a maior reserva de petróleo do mundo, então se eles voltarem ao mercado sem sanções, significa uma oferta bem maior disponível", destaca Cruz.

O terceiro fator depende de como o governo brasileiro se posicionará diante do conflito. "Existe um dilema moral e praticamente político de um presidente muito grande sobre a Venezuela". Cruz acredita que o posicionamento de Lula pode interferir em negociações recentes do Brasil com os Estados Unidos, como a questão tarifária. "A gente tá há dois meses só com o recuo dos Estados Unidos sobre as tarifas americanas sobre o Brasil. Será que eles falaram, ah, se você apoia então, toma as tarifas de volta?", questiona Cruz.

O estrategista da RB avalia que a disputa pode provocar desgaste político-econômico para o Brasil, mas que Lula pode optar por não se pronunciar. "Um extra seria a questão de imigração, como a gente viu ao longo dos anos, muitas pessoas saíram da Venezuela em direção a Colômbia, Brasil e outros países da América Central e América do Sul. Isso gera algum tipo de pressão específica sobre municípios e sobre alguns estados no norte do Brasil, que pode exigir algum tipo de atendimento específico, mas aí não é tanto o mercado financeiro, é mais efeito na economia e no caminho para 2026."

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