Detentos de Honduras formam orquestra e fazem concerto no Dia das Mães
"Não vou mais roubar, vou trabalhar e não vou matar", canta Emanuel Martínez, vocalista de um grupo musical integrado por meia centena de presos em Honduras. A orquestra Libertad ('Liberdade', em português) fará uma apresentação neste domingo (11) no parque central de Tegucigalpa por ocasião do Dia das Mães.
A banda foi criada há três meses para favorecer a reinserção social dos detentos e as autoridades contrataram como regente o músico Carlos Umaña. O próprio Umaña se encarregou de procurar nos 22 presídios do país detentos que tocassem instrumentos ou tivessem talento para o canto. Ele selecionou 52 presidiários, incluindo seis mulheres. "Este é um modelo inovador de reinserção social através da arte", é "um símbolo de transformação pessoal", diz à AFP o regente de 46 anos. "Já temos seis canções gravadas e temos duas já nas plataformas", acrescenta Umaña, membro de uma família de músicos e líder de uma banda de jazz.
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Emanuel Martínez cantava em um grupo musical, mas foi preso por integrar uma quadrilha de sequestradores na cidade de San Pedro Sula, no norte do país. Ele foi condenado a 15 anos de prisão. O vocalista diz que espera se integrar a um grupo musical assim que recuperar a liberdade, dentro de dois anos. "Sinto que posso mudar o mundo usando a música como mensagem", diz Martínez à AFP.
No domingo, os integrantes da orquestra serão levados de ônibus para o parque, com os pés e as mãos algemados. Serão vigiados por guardas carcerários e policiais militares, que tirarão suas algemas antes da apresentação.
Os homens da banda vestem jaqueta azul e calças pretas. As mulheres usam vestidos pretos ou vermelhos. A banda deu um show ontem, 9, para funcionárias do Instituto Nacional Penitenciário, como parte das comemorações pelo Dia das Mães. O diretor da Penitenciária Nacional, tenente-coronel Karllthers Medina, explica que a orquestra faz parte de um programa chamado "Os três Rs": reabilitação, reeducação e reinserção.
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