Bill Gates acelera doação de sua fortuna e critica cortes de ajuda dos EUA
Bill Gates anunciou, nesta quinta-feira (8), que doará grande parte da fortuna que lhe resta à sua fundação filantrópica, que tem como meta gastar "mais de 200 bilhões de dólares [R$ 1,1 trilhão]" até 2045, data que será fechada definitivamente.
"Minha fortuna será reduzida em 99% nos próximos 20 anos", explicou o bilionário, de 69 anos, em uma carta aberta sobre a Fundação Gates, na qual também se referiu ao corte da ajuda internacional por parte dos Estados Unidos.
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"As pessoas vão dizer muitas coisas quando eu morrer", continuou, "mas estou decidido que 'morreu rico' não será uma delas".
No início de fevereiro, Gates declarou à BBC que já havia doado mais de 100 bilhões de dólares (R$ 568,5 bilhões) para organizações de caridade, incluindo 60 bilhões de dólares (R$ 341,1 bilhões) para sua própria fundação.
Segundo a revista Forbes, o resto de sua fortuna é de cerca de 113 bilhões de dólares (R$ 642,4 bilhões).
"Muitas coisas podem acontecer em 20 anos. Quero garantir que o mundo avance durante esse tempo", argumentou o cofundador da Microsoft e filantropo em sua carta.
Desde sua criação no ano 2000, a fundação se tornou um dos principais atores na luta contra a pobreza e as doenças no mundo.
Em 25 anos, destinou cerca de 100 bilhões de dólares em ajuda, afirmou seu diretor geral, Mark Suzman, à AFP.
O anúncio de Gates chega em um momento em que a administração Trump reduziu drasticamente o alcance da agência de ajuda internacional USAID, que tinha um orçamento de 44 bilhões de dólares (R$ 250,1 bilhões) em 2024.
Em uma entrevista ao The New York Times, Gates culpou Elon Musk, colocado por Donald Trump à frente de uma comissão para a eficiência governamental (Doge), pelo desmantelamento da USAID.
"O homem mais rico do mundo vai estar implicado na morte de algumas das crianças mais pobres do mundo", afirmou o empresário, argumentando que a diminuição da ajuda americana provocaria um aumento da mortalidade infantil.
- "Erradicar a pólio" -
"É importante demonstrar que seremos um vetor de estabilidade, continuidade e previsibilidade" durante os próximos 20 anos, enfatizou Suzman.
"Sempre se planejou que esta fundação não seria para sempre", lembrou sobre o prazo fixado em 2045.
A instituição de caridade foi criada por Bill Gates, sua ex-mulher Melinda French Gates e o empresário Warren Buffett, chefe do conglomerado de investimentos Berkshire Hathaway.
Antes conhecida como Fundação Bill e Melinda Gates, passou a se chamar Fundação Gates em 2024, quando Melinda deixou de fazer parte, três anos após o divórcio do casal.
A fundação ajuda a financiar a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Iniciativa Mundial para a Erradicação da Poliomelite (GPEI) e a Aliança para as Vacinas (Gavi).
No final de 2024, os ativos líquidos da Fundação Gates ascendiam a 71,3 bilhões de dólares (R$ 405,3 bilhões). Para 2025, o orçamento foi fixado em 8,7 bilhões de dólares (R$ 49,4 bilhões).
Em linha com o trabalho realizado durante seu primeiro quarto de século, Bill Gates estabeleceu três prioridades para seus últimos vinte anos de vida.
Se concentrará na luta contra a mortalidade infantil, as doenças infecciosas- principalmente poliomelite, dracunculíase, sarampo e malária- e os projetos educativos.
"Temos esperança de erradicar a pólio e até mesmo, a malária", disse Suzman. Também mencionou "controlar o HIV e a tuberculose".
Em sua carta, Gates homenageou Warren Buffett, que "segue sendo o maior modelo de generosidade".
"Espero que outras pessoas ricas percebam o quanto podem melhorar a sorte das pessoas mais pobres do mundo aumentando suas doações", afirmou.
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