Forças bolivianas desbloqueiam rota vital que estava obstruída por apoiadores de Evo Morales
Policiais e militares desbloquearam, nesta segunda-feira (4), uma importante rodovia em Santa Cruz, departamento mais rico da Bolívia, que havia sido obstruída por apoiadores do ex-presidente Evo Morales, investigado pelo suposto estupro de uma menor em 2015.
Com pedras, troncos e entulhos, os camponeses mantinham em Mairana um dos mais importantes pontos de bloqueio desde que os protestos começaram há 22 dias.
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"Mairana acaba de ser liberada por uma operação conjunta das forças de segurança", anunciou nesta segunda-feira Eduardo del Castillo, ministro do Governo. "Temos pelo menos 10 pessoas detidas", acrescentou em sua página no Facebook.
Os efetivos entraram nesta segunda-feira sem dificuldades na pequena localidade, que se encontra no meio da rota utilizada pelas empresas agroindustriais de Santa Cruz para levar seus produtos a La Paz e aos portos do oceano Pacífico.
Não houve incidentes graves nem foram registrados feridos durante a intervenção. Após a desocupação dos manifestantes, máquinas pesadas entraram para remover os obstáculos que impediam o trânsito de veículos.
Na sexta-feira, a polícia já havia conseguido desativar outro importante bloqueio em Parotani, uma via crucial que une Cochabamba (centro) a Oruro e La Paz.
Quinze pontos de bloqueio ainda persistem no país, a maioria em Cochabamba, reduto político de Evo Morales, segundo a estatal Administradora Boliviana de Estradas.
Os protestos começaram em 14 de outubro por camponeses aliados a Evo Morales para exigir o "fim da perseguição judicial" contra ele.
O líder cocaleiro é investigado pelos supostos crimes de "estupro, tráfico e exploração de pessoas". Morales acusa o governo de querer impedi-lo de concorrer nas eleições de 2025.
O ex-presidente iniciou, na sexta-feira, uma greve de fome na localidade cocaleira de Lauca Ñ, em Cochabamba, para pressionar o diálogo entre o governo de Luis Arce e os manifestantes.
"(Pedi) diálogo imediato e que se estabeleçam duas mesas de diálogo (...). E a resposta do governo foi prender" mais de 50 manifestantes, disse Morales no domingo em uma breve entrevista à AFP.
Até a noite de domingo, os confrontos entre civis e forças de segurança deixaram um saldo de 154 detidos e 127 feridos, 92 deles policiais, segundo um balanço oficial do Ministério do Governo (Interior).
O governo responsabiliza Morales pelos bloqueios e por instigar seus seguidores a tomarem, desde a última sexta-feira, pelo menos três quartéis e cerca de 200 militares como "reféns".
"Para um diálogo real em termos políticos e econômicos, precisamos do apoio de organismos e personalidades internacionais", escreveu Morales nesta segunda-feira na rede social X.
Morales está em conflito com Arce, seu ex-ministro da Economia, pela candidatura presidencial do partido governista para as eleições de 2025, embora por enquanto apenas o ex-mandatário tenha revelado sua intenção de concorrer.