Ataque do Irã a Israel deixa mundo em alerta: veja o que se sabe
Irã lançou o seu primeiro ataque direto contra Israel, marcando uma grande escalada do conflito entre os dois inimigos regionais. Veja o que sabe até agora
O ataque do Irã contra Israel gerou preocupação mundial e pedidos de moderação ante o risco de uma escalada de consequências imprevisíveis em uma região onde reina a incerteza há mais de seis meses pela guerra entre os israelenses e o grupo terrorista Hamas, na Faixa de Gaza.
"A campanha [de bombardeios iranianos] ainda não acabou, devemos permanecer em estado de alerta", afirmou o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant. "Junto com Estados Unidos e outros aliados, conseguimos defender o território do Estado de Israel", acrescentou.
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A República Islâmica lançou no sábado o seu primeiro ataque direto contra Israel, marcando uma grande escalada do conflito entre os inimigos regionais. O Hezbollah libanês e os rebeldes huthis do Iêmen, ambos aliados do Irã, também realizaram ataques em paralelo contra Israel.
Teerã ameaçou repetidamente responder ao bombardeio do seu consulado em Damasco, em 1º de abril, um ataque que atribuiu a Israel e no qual sete integrantes do Exército de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) morreram, incluindo dois generais.
Israel garantiu que o ataque deste sábado "foi frustrado", enquanto o chefe das forças armadas iranianas, Mohammad Baghari, louvou uma operação que alcançou "todos os seus objetivos".
O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, advertiu que qualquer resposta "temerária" de Israel a seu inédito ataque com mísseis e drones levaria a uma resposta militar "decisiva e muito mais forte".
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G7 ratifica pleno apoio a Israel após ataque do Irã
Os líderes dos países do G7, reunidos por videoconferência neste domingo, 14, expressaram o seu "total apoio a Israel e ao seu povo" após o ataque do Irã e afirmaram o seu "compromisso com a sua segurança".
Declaração foi dada em uma declaração conjunta do grupo, que reúne as sete economias mais industrializados do Ocidente (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão).
O G7 exigiu que o Irã e seus aliados cessem ataques e que estará pronto para tomar novas medidas "em resposta a novas iniciativas desestabilizadoras". O grupo condenou "nos termos mais veementes" a iniciativa no Irã, que foi chamada de "sem precedentes".
"Com as suas ações, o Irã deu um passo adicional no sentido da desestabilização da região e corre o risco de provocar uma escalada regional incontrolável. Isso deve ser evitado. Vamos continuar a trabalhar para estabilizar a situação e evitar uma nova escalada", reforçou o G7.
O grupo informou ainda que reforçará a cooperação para pôr fim à crise em Gaza, dando continuidade aos trabalhos em prol de um cessar-fogo "imediato e sustentável" e da libertação de reféns pelo Hamas, além de prestar maior assistência humanitária aos palestinos em necessidade.
Ataque do Irã a Israel: veja reações internacionais
O presidente democrata dos Estados Unidos, Joe Biden, reafirmou na rede X seu "firme" compromisso com a segurança de Israel.
No Vaticano, o papa Francisco lançou um "apelo urgente" para deter "uma espiral de violência" que poderia "arrastar o Oriente Médio para um conflito ainda maior".
A União Europeia condenou o ataque, chamando-o de "escalada sem precedentes", e convocou uma reunião ministerial para a próxima terça.
Teerã convocou os embaixadores da França, do Reino Unido e da Alemanha devido às "posições irresponsáveis de alguns funcionários desses países em relação à resposta do Irã".
Na América Latina, Argentina, Chile e Uruguai condenaram a agressão e manifestaram sua preocupação com a escalada das tensões. Brasil e México pediram "contenção".
A Venezuela, por sua vez, atribuiu a deterioração da situação no Oriente Médio ao "genocídio na Palestina e à irracionalidade do regime israelense, assim como à inação" da ONU.
Já a China conclamou à "paz e estabilidade" no Oriente Médio, enquanto a Rússia, apelando à contenção, instou os países da região a "encontrar uma solução para os problemas existentes".
Síria diz que Irã usou direito à autodefesa ao atacar Israel
Ministro das Relações Exteriores sírio, Faisal Mekdad afirmou que o Irã usou o seu direito à autodefesa ao atacar Israel.
"A resposta do Irã (...) é o direito legítimo à autodefesa", disse ele por telefone ao seu homólogo iraniano, Hossein Amir Abdollahian, segundo a agência oficial de notícias Sana.
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Itamaraty evita condenar ataque do Irã
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou condenar publicamente o ataque do Irã a Israel. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que acompanha "com grave preocupação" o ataque de drones do Irã a Israel.
O governo brasileiro fez um apelo "a todas as partes envolvidas que exerçam máxima contenção", para "evitar uma escalada" do conflito, mas não criticou a ação iraniana. No mundo, líderes dos principais países ocidentais condenaram o ataque.
"O Governo brasileiro acompanha, com grave preocupação, relatos de envio de drones e mísseis do Irã em direção a Israel, deixando em alerta países vizinhos como Jordânia e Síria”, diz o texto do Itamaraty.
“Desde o início do conflito em curso na Faixa de Gaza, o Governo brasileiro vem alertando sobre o potencial destrutivo do alastramento das hostilidades à Cisjordânia e para outros países, como Líbano, Síria, Iêmen e, agora, o Irã".
"O Brasil apela a todas as partes envolvidas que exerçam máxima contenção e conclama a comunidade internacional a mobilizar esforços no sentido de evitar uma escalada", diz a nota, recomendando ainda que sejam evitadas viagens "não essenciais" à região.
O MRE pede ainda aos brasileiros que já estão no Oriente Médio que "sigam as orientações divulgadas nos sítios eletrônicos e mídias sociais das embaixadas brasileiras".
Ataque a Israel ocorre em meio à guerra contra Hamas
O ataque iraniano coincidiu também com a rejeição pelo Hamas, segundo o Mossad, o serviço de inteligência externo israelense, de uma nova proposta de cessar-fogo em Gaza, apresentada por Catar, Egito e Estados Unidos, que permitiria também a libertação dos reféns detidos em território palestino.
A guerra entre Israel e Hamas explodiu quando combatentes do movimento islamista palestino mataram cerca de 1.170 pessoas em território israelense, a maioria civis, segundo cálculo da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Também fizeram 250 reféns, dos quais 129 permanecem em Gaza, incluindo 34 que se acredita que estão mortos, conforme as autoridades israelenses.
Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e lançou uma ofensiva implacável que já deixou 33.729 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas desde 2007. (Com informações das agências Estado e AFP)
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