Países ocidentais anunciam envio de tanques à Ucrânia e Rússia intensifica ofensiva
Enquanto a Ucrânia recebe promessas de reforços, tropas russas intensificam a ofensiva na província ucraniana de Donetsk. Governo ucraniano pede ainda envio de mísseis de longo alcance pelos aliados
Estados Unidos e países da Europa anunciaram o envio de tanques pesados para fortalecer o exército da Ucrânia na guerra travada contra a Rússia.
A postura alemã é particularmente marcante. Além de prometer enviar 14 tanques para a Ucrânia. A Alemanha autorizou que os países europeus que possuem estoques possam transferi-los para o Exército ucraniano.
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"Da entrega de 5.000 capacetes pesados [de combate] ao envio do Leopard para a Ucrânia: em menos de um ano, a Alemanha desfez sete décadas de política pacifista. Pode ter sido com reservas, mas se trata de um importante ponto de inflexão", comentou no Twitter o especialista Bruno Lété, do "think tank" German Marshall Fund, com sede em Washington.
O Reino Unido já ofereceu uma dezena de tanques Challenger 2, enquanto os Estados Unidos prometeram 31 tanques Abrams e a França estuda a possibilidade de enviar carros de combate pesados. O governo da Noruega também anunciou nesta quarta que enviará tanques Leopard 2 para a Ucrânia, mas não especificou a quantidade.
A Presidência ucraniana elogiou a decisão dos países ocidentais de contribuírem com o envio de tanques. "É um dia histórico, um daqueles que vão determinar nossa futura vitória", escreveu no Telegram Andriy Yermak, chefe do gabinete presidencial.
Essa frente unida de apoio à Ucrânia é um novo revés para os russos, que, desde o início do conflito, apostam no esgotamento do suporte dos ocidentais.
Tabus quebrados
Com esta ajuda de outra gama entregue à Ucrânia, os ocidentais correm novamente o risco de serem acusados de "cobeligerantes" pela Rússia. A questão é que, de fato, alguns tabus já foram quebrados desde o início da guerra na Ucrânia.
"Os obuses e os lançadores de foguetes múltiplos entregues em 2022 são equipamentos tão, ou mais sérios, do que os tanques, já que a artilharia é mais potente", disse o analista militar Mykola Bielieskov.
Os Estados Unidos superaram sua relutância e acabaram aceitando a entrega para a Ucrânia de seu sistema de mísseis terra-ar de médio alcance Patriot, considerado um dos melhores dispositivos de defesa aérea dos exércitos ocidentais.
Reação diplomática
Nesta quarta, o embaixador russo na Alemanha, Sergei Nechaev, criticou a decisão, classificando-a de "extremamente perigosa", e disse que "ela levará o conflito para um novo nível de confrontação".
Uma fonte do bloco europeu observou que os tanques "não são uma ferramenta de escalada, dado seu provável uso pelos ucranianos" apenas em seu território, não além.
Em resposta, Moscou pode ficar tentada a mobilizar pela primeira vez no terreno seu tanque T-14, uma nova geração de armamento que não foi utilizada em combate.
Mas existem apenas cerca de 20 tanques fabricados, observa Andras Racz, do Conselho Alemão de Relações Internacionais.
Assim, "na ausência de uma resposta militar simétrica, pode-se esperar uma intensificação da ofensiva de informação por parte da Rússia, que pode se ver estimulada a lançar uma segunda onda de mobilizações".
O especialista disse, no entanto, que "os russos sabem muito bem que uma dúzia de tanques ocidentais não vão mudar o curso do conflito. Não espero uma escalada imediata por parte de Moscou".
Reação militar
Enquanto a Ucrânia recebe promessas de reforços, tropas russas intensificam a ofensiva na província ucraniana de Donetsk, na bacia do Donbass (leste), buscando impor superioridade de efetivos e material, informou a vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, nesta quarta-feira, 25.
"O inimigo intensifica a pressão nos setores de [as cidades de] Bakhmut e Vuhledar. Atualmente, no Donbass, enfrentamos sua superioridade em número de efetivos e de armas com o profissionalismo da nossa comandância e a coragem dos nossos soldados", afirmou Maliar em nota.
Apelos
Desde dezembro, a Ucrânia pede a entrega de cerca de 300 tanques ocidentais para lançar contraofensivas, depois de meses de relativa estabilidade no "front" e ante o temor de que a Rússia lance uma vasta ofensiva no Donbass, no leste, com a chegada da primavera boreal (outono no hemisfério sul).
Os tanques e veículos blindados podem permitir às forças ucranianas ganhar dinamismo e dar esperança na hora de romper as linhas de defesa russas com o apoio da artilharia. Com isso, sairiam da guerra de trincheiras que impera no leste do país.
"Os tanques são parte integrante da guerra conjunta desde a Segunda Guerra Mundial. Nenhuma operação defensiva, nem ofensiva, é possível sem um arsenal de carros de assalto", disse o especialista ucraniano Mykola Bielieskov.
O analista frisou que esses tanques não são uma solução milagrosa.
"Somente se forem usados em conjunto com a infantaria mecanizada, o uso de artilharia, defesa aérea e mísseis, os tanques podem trazer resultados", advertiu.
Mísseis
Os tanques não satisfazem as demandas ucranianas. O País pede que os aliados forneçam mísseis de longo alcance e aviões de combate para enfrentar a Rússia, afirmou, nesta quarta o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pouco depois de Estados Unidos e Alemanha anunciarem o envio de tanques pesados a Kiev.
"Também deveriam possibilitar a entrega de mísseis de longo alcance para a Ucrânia. É importante. E também devemos ampliar nossa cooperação em artilharia e [possibilitar] o envio de aviões de combate", afirmou Zelensky em discurso diário nas redes sociais.
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