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Acossado por protestos, Lasso enfrenta pedido de impeachment no Equador

13:37 | Jun. 25, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, enfrenta neste sábado (25) um debate no Congresso para votar sua destituição devido à "comoção interna" causada por 13 dias de protestos indígenas contra o elevado custo de vida.

A sessão plenária está prevista para as 18H00 (20H00 em Brasília) ante a convocação de um terço dos deputados da Assembleia Nacional, que vê no presidente de direita a causa da "grave crise política e comoção interna" que vive o país.

Enquanto isso, os protestos continuam sacudindo o Equador, especialmente a capital Quito, onde cerca de 10.000 indígenas vindos de seus territórios marcham em diversos pontos da capital aos gritos de "Fora Lasso, fora!"

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Os 47 integrantes da bancada da União pela Esperança (Unes), ligada ao ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), solicitaram ontem a saída do presidente, um ex-banqueiro de direita que assumiu o cargo em maio de 2021.

Em isolamento por causa da covid, Lasso arremeteu contra o líder das manifestações, Leonidas Iza, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie).

"A intenção real do senhor Iza é derrubar o governo [...] ele não tem controle das manifestações nem da criminalidade que suas ações irresponsáveis provocaram", declarou Lasso.

Os manifestantes exigem a redução do preço dos combustíveis, entre outras medidas, para aliviar a pobreza. Eles deixam para trás barricadas com troncos e pneus queimados em uma cidade semiparalisada e exausta.

Após dois dias violentos, quinta e sexta-feira, Quito amanheceu com relativa tranquilidade neste sábado, à espera do debate de destituição.

O Equador ganhou fama de ingovernável após a saída abrupta de três presidentes entre 1997 e 2005 diante da pressão social.

Para ser aprovada, a destituição requer 92 votos dos 137 possíveis no Congresso, no qual a oposição é maioria, mas está bastante fragmentada.

Lasso deverá ser convocado à sessão desta tarde para se defender e, na sua presença, terá início o debate cuja duração será determinada pelo presidente do Legislativo.

Uma vez concluída a discussão, os deputados têm até 72 horas, no máximo, para resolver sobre o pedido de destituição.

Em caso de aprovação, o vice-presidente Alfredo Borrero assume o cargo e convocará eleições presidenciais e legislativas para cumprir o período restante do mandato.

As últimas duas noites em Quito foram cenário de duros enfrentamentos entre as forças de segurança e os manifestantes, com coquetéis molotov, fogos de artifício, gás lacrimogênio e bombas de efeito moral.

Os 13 dias de revolta indígena já deixaram seis civis mortos e uma centena de feridos, segundo a Aliança de Organizações pelos Direitos Humanos.

Além disso, as autoridades registraram mais de 180 feridos entre militares e policiais e prometeram reprimir com mais rigor as manifestações.

Desgastada pela crise, com o comércio fechado e desabastecimento de alguns produtos, Quito também é cenário de contraprotestos.

Centenas de equatorianos se mobilizam em paralelo com palavras de ordem contrárias ao líder indígena: "Fora Iza, fora!". Caravanas de veículos de alto padrão percorrem as áreas mais ricas da cidade ressoando suas buzinas e tremulando bandeiras brancas.

O Equador, cuja economia dolarizada começava a apresentar sinais de recuperação dos efeitos da pandemia, está perdendo cerca de 50 milhões de dólares por dia devido à crise.

O governo garante que reduzir os preços dos combustíveis, como exigem os indígenas, custaria ao Estado mais de 1 bilhão de dólares por ano em subsídios.

A indústria do petróleo, o principal produto de exportação equatoriano, está produzindo em 54% de sua capacidade devido à ocupação de poços (918 fechados) e aos bloqueios de estradas em meio aos protestos.

Sem maior respaldo político, Lasso conta com o apoio dos militares que cerraram fileiras em torno de seu governo.

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