Logo O POVO+

Jornalismo, cultura e histórias em um só multistreaming.

Participamos do

Ferrovias, o 'segundo exército' da Ucrânia diante da Rússia

16:16 | Jun. 14, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

As ferrovias se tornaram o "segundo exército" da Ucrânia desde o início da invasão russa, evacuando milhões de pessoas e transportando toneladas de trigo, declarou seu diretor-geral, Oleksandre Kamychin.

"Alguns dizem que a ferrovia é o segundo exército... Quando a guerra estourou, tivemos que reagir rapidamente e foi o que fizemos", afirmou à AFP Kamychin, que comanda a companhia ferroviária estatal ucraniana Ukrzaliznytsia (UZ), na sala VIP da estação de Kiev.

De trem, "desde o início da guerra, 3,8 milhões de pessoas foram evacuadas do leste e sul da Ucrânia para o oeste, e 600 mil do oeste para países vizinhos", como Polônia, Romênia e Moldávia, apontou ele.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

Por causa dos bombardeios russos, direcionados principalmente à infraestrutura ferroviária que Moscou suspeita estar transportando armas ocidentais, "dezenas de pontes foram destruídas, mas nós as reconstruímos constantemente", disse Kamychin, citando o exemplo da ponte de Irpin, nos subúrbios de Kiev.

Uma ponte "foi reconstruída em 29 dias, quando normalmente levaria meses", contou. Mas "levará anos para reconstruir a infraestrutura" da terceira maior rede ferroviária da Europa (23 mil km de trilhos), atrás apenas da Alemanha e da França.

Desde a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro, o trabalho dos funcionários da UZ - maior empresa pública ucraniana, com 230 mil funcionários - tem sido elogiado tanto no país quanto no exterior.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prestou homenagem ao "povo de ferro" durante sua visita a Kiev em abril, assim como seu colega canadense, Justin Trudeau, em maio.

Um dos motivos desse sucesso é a simplificação do processo decisório e a redução da burocracia, "algo que começamos a mudar desde o primeiro dia" da guerra, explicou Kamychin, de 37 anos.

Kamychin chegou em agosto de 2021 ao comando da companhia, muito criticada antes do conflito por sua operação e qualidade de serviço de estilo soviético.

Os funcionários da UZ estão pagando um alto preço neste conflito: 166 foram mortos, 252 ficaram feridos e cinco foram feitos reféns, segundo Kamychin.

"Cerca de 90% da rede" permanece sob o controle da empresa ucraniana. No entanto, o negócio de transporte de produtos despencou, e o transporte de carga caiu para 40% do volume anterior à guerra.

Antes, a Ucrânia exportava "entre 50 e 60 milhões de toneladas de grãos por ano, e a UZ seguia transportando metade disso, de toda a Ucrânia até os portos marítimos".

"Em novembro do ano passado, 4,1 milhões de toneladas de grãos foram transportadas por ferrovia, um mês recorde. Agora é quatro vezes menos", lamentou.

Quanto a possíveis entregas de armas ocidentais por meio dos trens, Kamychin se recusa a discutir a questão. O exército russo frequentemente relata ataques a instalações ferroviárias que alegam serem usadas para esse fim.

Entre os projetos de longo prazo da UZ está uma linha de alta velocidade Kiev-Varsóvia, que se encontra em fase de "estudo de viabilidade", disse o diretor.

A Ucrânia também é uma das principais rotas ferroviárias das novas "Rotas da Seda", que permitem que longos comboios de contêineres liguem a China à Europa. Porém, desde que a guerra começou, a rota ucraniana está completamente bloqueada.

bfi/pc/eg/ic/mvv

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Os cookies nos ajudam a administrar este site. Ao usar nosso site, você concorda com nosso uso de cookies. Política de privacidade

Aceitar