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Pró-russos da região de Kherson, tomada por Moscou, pedirão anexação a Putin

16:31 | Mai. 11, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

As autoridades pró-russas da região ucraniana de Kherson (sul), ocupada por Moscou desde março, anunciaram que vão pedir ao presidente Vladimir Putin sua anexação à Rússia, que consolida sua posição nesta região ao mesmo tempo em que, segundo a Ucrânia, perde terreno em volta de Kharkhiv, no nordeste.

"Haverá uma solicitação [ao presidente russo] para fazer com que a região de Kherson seja sujeito pleno da Federação da Rússia", declarou Kirill Stremusov, chefe-adjunto da administração cívico-militar deste território situado ao norte da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

A conquista de Kherson, único êxito militar real de Moscou desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, pode permitir a criação de uma ponte terrestre ligando a Crimeia, a região separatista pró-russa de Donetsk (no Donbass) e o território russo.

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O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que "corresponde aos moradores da região de Kherson decidir se devem fazer um pedido" a Putin, uma perspectiva considerada absurda pelas autoridades ucranianas.

"Os invasores poderiam pedir inclusive para unir Marte ou Júpiter, mas o exército ucraniano vai libertar Kherson", disse Mikhailo Podoliak, conselheiro do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.

Os serviços de Inteligência americanos acreditam que Putin pretende criar uma ligação terrestre da Crimeia até a Transnístria, território controlado pela Rússia na Moldávia.

Esta via, que passa por Kherson, representa também a conquista total de Mariupol, no mar de Azov, onde cerca de mil soldados ucranianos permanecem entrincheirados nos túneis quilométricos da siderúrgica Azovstal.

Após o fracasso da tentativa de tomar Kiev, a capital da Ucrânia, a Rússia busca consolidar suas conquistas territoriais no sudeste e estender sua ofensiva na região do Donbass (leste).

"Vêm em ondas", afirmou Mykola, um combatente voluntário, ao se referir às tentativas reiteradas dos russos de avançar para o sul, cruzando um rio próximo ao assentamento rural de Bilogorivka.

Mais ao norte, as autoridades de Kiev anunciaram ter recuperado quatro povoados próximos à importante cidade de Kharkiv.

"Os ocupantes estão sendo expulsos gradualmente", disse o presidente Zelensky.

Os distritos norte e nordeste de Kharkiv, que tinham cerca de 1,5 milhão de habitantes antes da guerra, são bombardeados há semanas por foguetes russos.

Kiev ficou quase vazia após o início da invasão russa, mas desde então quase dois terços de seus 3,5 milhões de habitantes voltaram, assegurou nesta terça o prefeito da capital, Vitali Klitschko.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, que se reuniu recentemente com Putin, considerou importante manter a comunicação com a Rússia, apesar de atualmente não existir "nenhuma possibilidade de um acordo de paz ou de cessar-fogo imediatos".

"Esta guerra não vai durar eternamente" e "se a gente quer resolver um problema, tem que discutir com quem o causou ou com quem pode resolvê-lo", argumentou.

Os combates no leste parecem afetar pela primeira vez o fornecimento de gás russo que transita pela Ucrânia, alimentando os temores de que a invasão russa provoque uma grave crise energética na Europa.

O operador do gasoduto ucraniano GTSOU afirmou que o gigante energético estatal russo Gazprom tinha "deixado de fornecer gás" no ponto de trânsito de Sokhranivka, devido às interferências do exército russo.

O volume de gás que transita por essa região representa um terço do total que transita pela Ucrânia para a Europa, segundo a Naftogaz.

A Gazprom negou que houvesse motivos para que o operador ucraniano declarasse "força maior" e disse que era impossível redirecionar todos os fornecimentos.

A invasão da Ucrânia levou Suécia e Finlândia a contemplarem se incorporar à Otan, apesar das advertências da Rússia.

"A adesão da Otan não seria contra ninguém", declarou o presidente finlandês, Sauli Niinistö.

Além disso, Suécia e Finlândia assinaram acordos respectivos de Defesa e proteção mútua com o Reino Unido em caso de agressão.

A Ucrânia pressiona os países ocidentais para obter mais apoio militar.

O presidente da República Tcheca, Milos Zeman, um aliado próximo de Putin antes da guerra, autorizou 103 cidadãos tchecos a irem combater na Ucrânia em apoio às forças de Kiev.

Nos Estados Unidos, a Câmara de Representantes aprovou na noite de terça-feira um pacote de quase 40 bilhões de dólares em ajuda para a Ucrânia.

O texto, que inclui um componente econômico e humanitário, assim como armas e munições, ainda deve ser votado em breve pelo Senado antes de ser promulgado pelo presidente Joe Biden.

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