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Na Ucrânia, Baerbock promete apoio à apuração de crimes de guerra

00:02 | Mai. 11, 2022
Autor DW
Tipo Notícia

Baerbock (dir.) com a procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova (esq.) em BuchaMinistra das Relações Exteriores visitou povoado de Bucha, na primeira viagem de um alto membro do governo alemão à Ucrânia desde o início da invasão russa.A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock prometeu nesta terça-feira (10/05) que a comunidade internacional vai responsabilizar os culpados pela morte de civis na cidade ucraniana de Bucha. Durante uma visita à região, ela disse que "os piores crimes imagináveis" foram perpetrados durante a ocupação russa na cidade, localizada nos arredores de Kiev. Baerbock ouviu no local testemunhas que relataram como soldados russos atacaram civis aparentemente de forma aleatória, deixando seus corpos na rua após se retirarem em 31 de março. Mais de 400 corpos foram encontrados no povoado. "Devemos a essas vítimas não apenas lembrar delas aqui, mas também responsabilizar os perpetradores. É isso que faremos como comunidade internacional. Essa é a promessa que podemos e devemos fazer aqui em Bucha", declarou. Visita surpresa Baerbock é o primeiro membro do governo alemão a viajar à Ucrânia desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro. A visita surpresa ocorre dias depois de Berlim e Kiev terem superado uma crise diplomática gerada depois que o governo da Ucrânia rejeitou a visita a Kiev do presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, por considerar que ele foi excessivamente complacente com a Rússia quando ocupou a chefia da diplomacia alemã entre 2013 e 2017. Scholz afirmou na época que a situação tinha se tornado um problema e que ele, por isso, não iria à Ucrânia enquanto ela não fosse resolvida. Após uma conversa por telefone entre Steinmeier e Zelenski na última quinta-feira, descrita pelo presidente ucraniano como "boa, construtiva e importante", a rusga parece ter sido deixada de lado. A ministra visitou Bucha acompanhada pela procuradora-geral ucraniana Iryna Venediktova, que tem supervisionado a coleta de informação sobre alegações de estupros, tortura e outros crimes de guerra supostamente cometidos pelas forças russas. Falando a repórteres em uma igreja danificada, Baerbock disse que ouviu relatos daqueles que perderam entes queridos durante a ocupação, incluindo pessoas mortas em um supermercado enquanto faziam compras, e uma mulher e seus dois filhos, que foram mortos a tiros enquanto tentavam fugir. "Queremos fazer uma pequena contribuição para apoiar a investigação sobre esses crimes de guerra e crimes contra a humanidade", ela disse, acrescentando: "Devemos isso às vítimas". Mais tarde, enquanto visitava Irpin, também nos arredores de Kiev e que também sofreu severa devastação, Baerbock expressou sua admiração pela coragem demonstrada pelos ucranianos em sua luta contra as forças invasoras russas. "País corajoso" "Vocês são um país muito corajoso, e tudo o que podemos fazer é ficar ao seu lado", disse. "Ser a ministra do Exterior de um país em tempos de paz é fácil. Mas é uma questão completamente diferente ser um prefeito durante uma guerra. Você tem todo o meu respeito", disse ela ao prefeito de Irpin, Oleksandr Markushyn. Na visita de Baerbock à Ucrânia, ela também anunciou a reabertura da embaixada da Alemanha em Kiev, que está fechada desde meados de fevereiro. A princípio, a representação diplomática volta a operar com equipe reduzida. Em encontro com seu colega ucraniano, Dmytro Kuleba, após a visita a Bucha e Irpin, Baerbock afirmou que a Alemanha irá reduzir sua dependência da energia russa "para zero, para sempre". Ela também disse ser a favor de que a Ucrânia se torne membro pleno da União Europeia, mas que não haverá "atalhos" para que isso ocorra. A ida a Kiev de Baerbock coincide com a do ministro holandês do Exterior, Wopke Hoekstra, que chegou à Ucrânia sem avisar. Um porta-voz de Hoestra disse que o ministro também reabrirá "oficialmente" a embaixada holandesa em Kiev, onde alguns funcionários voltaram ao trabalho no final de abril. Baerbock visitou a Ucrânia uma vez como ministra do Exterior no início de fevereiro, antes do início da invasão da Rússia. Entre outras coisas, ela percorreu as linhas de frente na região de Donbass, que tem sido palco de combates entre separatistas apoiados por Moscou e forças do governo desde 2014 e agora é o foco das operações militares da Rússia. md (AP,DPA)

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