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Hernández recebe apoio da direita para segundo turno na Colômbia

22:39 | Mai. 30, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O excêntrico milionário Rodolfo Hernández recebeu com reservas o apoio da direita na corrida ao segundo turno da eleição presidencial na Colômbia, contra o esquerdista Gustavo Petro, que, apesar de ter vencido no primeiro turno, enfrenta resistências para obter mais apoios até 19 de junho.

Os setores conservadores "querem votar contra Petro, por isso votam ao meu favor. Tampouco posso impedi-los", disse Hernández nesta segunda-feira, em transmissão no Facebook. "Zero alianças. Jurei ser independente e seguimos independentes", ressaltou ontem esse engenheiro civil, 77, que foi a grande surpresa eleitoral deste domingo.

Petro venceu com 40,3% dos votos Hernández (28,2%), um empresário do ramo imobiliário que, de forma surpreendente, tirou do caminho Federico Gutiérrez (23,9%), candidato da coalizão de direita ligada ao governismo.

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Após a divulgação do resultado, Gutiérrez anunciou seu apoio ao candidato independente, que na campanha o chamou de "farsante" e "dissimulado". Ao mesmo tempo, convidou seus 5 milhões de eleitores a apoiar o engenheiro, o última barreira diante do avanço inédito da esquerda, liderada por Petro, um senador e ex-guerrilheiro (62) que propõe um ambicioso plano de reformas que espanta os setores tradicionais.

Hernández disse que conversou com Gutiérrez para agradecer por seu apoio: "Tive que telefonar para ele e dizer que agradeço por esse gesto, nada mais. Isso é mera educação", disse o milionário em vídeo assistido ao vivo por cerca de 85 mil pessoas.

Representantes do Centro Democrático, partido no poder, alinharam-se atrás de Hernández, que também acena com um discurso antissistema que tem como eixo o combate à corrupção, apesar de ter sido denunciado pelo Ministério Público por um contrato irregular quando foi prefeito da cidade de Bucaramanga (2016-2019).

"O país precisa de mudanças, não o suicídio que Petro oferece, mas sim autoridade, ordem e a prosperidade que oferece um empresário como o @ingrodolfohdez", expressou no Twitter a influente senadora Mari Fernanda Cabal. "Recebo os votos, mas não mudo o discurso. Nunca irei mudar", respondeu o milionário.

Embora o adversário de Petro também seja anti-establishment, as forças tradicionais aderiram à sua candidatura em uma frente "antiPetro", que, teoricamente, tem mais chances de crescer do que a liderada pelo esquerdista. As abstenções representam 45% do eleitorado.

Petro obteve 8,5 milhões de votos contra 5,9 milhões de Hernández. O senador buscará se aproximar da coligação de centro, que obteve 4,2% dos votos e se recusou a assumir uma posição comum no segundo turno.

Hernández estabeleceu a meta de alcançar "12 milhões de votos, para ter um mandato claro, que deixe completamente de fora essas forças políticas que nos arruinam há 50 anos". Para consegui-lo, serão decisivos os apoiadores de Gutiérrez e do "uribismo", corrente liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que caiu em desgraça por seus problemas com a justiça, mas que permanece como uma figura influente

Vai ser "mais difícil para Petro. De certo modo, divide-se o voto anti-establishment e populista, e se estabelece um limite quanto à probabilidade de que Petro" seja presidente, disse à AFP Elizabeth Dickinson, analista do International Crisis Group.

Tanto Petro quanto Hernández conseguiram capitalizar o descontentamento expresso nos maciços e duramente reprimidos protestos de 2019 e 2021, e o desprestígio do governo Duque pela gestão da crise econômica que seguiu a pandemia.

Qualquer que seja o vencedor, ele terá que governar um país empobrecido (39%), com um desemprego urbano de 12,7% e onde pelo menos 43,5% dos 50 milhões de colombianos estão na informalidade.

Durante a campanha para o primeiro turno, Petro se concentrou em atacar exclusivamente Gutiérrez em debates televisionados e em praça pública. Com os resultados de domingo, deverá mudar de estratégia para contrabalançar o fenômeno Hernández. Uma fonte de sua campanha admitiu que o até ontem 'outsider' é um "adversário incômodo".

Sem um partido que o apoie, nem ideologia clara, o empresário conseguiu entrar na disputa graças à propaganda no "TikTok". Nunca foi visto no palanque e perto do fim da contenda, decidiu não participar dos debates com os outros candidatos.

Para o analista Alejo Vargas, Petro "está neste momento na corda bamba". Agora, terá que "modificar suas propostas, seu discurso" e "se aproximar dos líderes políticos" como os liberais, com os quais já flertou há meses.

Na corrida contra o tempo para conseguir cerca de dois milhões de votos, Petro dirigiu-se em tom conciliador aos empresários "temerosos" de sua vitória: "chegou a hora de escolher: eu proponho ao empresariado colombiano justiça social e estabilidade econômica".

Em 2018, Petro perdeu o segundo turno para o conservador Iván Duque por uma diferença de 2,3 milhões de votos e sem chegar a um consenso com as forças de centro.

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