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Maioria dos presos foragidos após rebelião é recapturada no Equador

21:06 | Mai. 10, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A grande maioria dos 220 presos foragidos de uma prisão no centro do Equador foram recapturados, anunciou a polícia nesta terça-feira (10), um dia depois de uma guerra de facções que se assemelhou a uma "carnificina", segundo familiares das vítimas.

"Houve um total de 220 cidadãos que fugiram ontem e no momento 200 foram recapturados" em patrulhamentos e pontos de controle de policiais e militares, declarou à imprensa o chefe de operações da polícia, general Geovanny Ponce.

As autoridades informaram inicialmente que 112 reclusos tinham sido "recapturados" e outros 108 continuavam foragidos.

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A AFP viu militares reunindo aproximadamente 80 detentos supostamente recapturados, enquanto outros eram levados, com as mãos na nuca, escoltados por policiais vestidos com trajes antidistúrbios, segundo imagens divulgadas pela polícia no Twitter.

A fuga ocorreu durante um confronto sangrento entre quadrilhas rivais no presídio de Bellavista, na cidade de Santo Domingo (a 80 Km de Quito), que deixou 44 detentos mortos, segundo o balanço mais recente.

Outros dez presos ficaram feridos, além de um policial.

Dois dos mortos são venezuelanos e até o momento foram identificados 41 corpos, disse o chefe da polícia, que descreveu a situação como de "total tranquilidade" na prisão.

O governo ofecerá recompensas de até 3.000 dólares para quem fornecer informação sobre os 20 detentos que continuarem foragidos.

Enquanto isso, continuavam as incertezas para dezenas de familiares inconsoláveis, em sua maioria mulheres, que se aglomeravam às portas da prisão, esperando informação oficial sobre seus entes queridos.

Militares armados com escopetas montavam guarda nas imediações, constatou a AFP.

"Não nos dão nenhuma informação. Dizem que os jovens fugiram para salvar suas vidas", afirmou à AFP Leisi Zambrano, que esperava notícias de seu irmão.

"Há muitas mães que até agora não receberam notícias de seus (entres queridos, se estão) mortos, se estão vivos", acrescentou a mulher, de 48 anos.

No confronto sangrento, a quadrilha Los Lobos atacou outro grupo rival, a "R7", matando seus membros com armas brancas dentro das celas.

As autoridades encontraram fuzis, pistolas, granadas e munições após retomarem o controle do presídio.

O incidente, pouco mais de um mês depois de outro massacre que deixou 20 reclusos mortos, voltou a evidenciar a crise da violência carcerária no Equador, que o governo atribui à briga entre quadrilhas que disputam o território para distribuir drogas dentro e fora das prisões.

Desde fevereiro de 2021, 400 detentos morreram em seis chacinas registradas em presídios do Equador.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos reiterou seu "profundo alarme" e destacou "a necessidade urgente de uma reforma integral do sistema de justiça penal" equatoriano, segundo sua porta-voz, Liz Throssell.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da OEA, condenou a violência e pediu uma investigação "rápida, séria e imparcial".

Assim que soube dos confrontos, Zambrano disse ter ido ao presídio na madrugada e ouvia que do interior "os presos pediam socorro, que não os deixassem morrer".

"Do lado de dentro é uma carnificina", disse à AFP.

Para tentar frear a violência, seis chefes de quadrilhas foram transferidos de Bellavista para dois presídios de segurança máxima.

O governo do presidente Guillermo Lasso havia decidido a realocação de presos perigosos, no âmbito de um conjunto de medidas que incluem indultos para reduzir a superlotação generalizada, a dotação de orçamento destinada às prisões e à criação de uma comissão de pacificação.

Mas estas medidas foram aparentemente insuficientes para deter as chacinas carcerárias, das piores da América Latina.

Segundo as autoridades, os confrontos de segunda-feira foram provocados pela transferência para Bellavista de um dos líderes do R7, por ordem judicial.

Funcionários do governo criticaram a decisão, tomada sem o "aval dos informes" dos serviços prisionais, disse seu chefe, Pablo Ramírez.

O governo decretou, ainda, estado de exceção até o fim de junho em três províncias do oeste - Guayas, Manabí e Esmeraldas -, as mais afetadas pela violência do narcotráfico.

Fora das prisões, o número de mortos alcançou os 1.255 nos quatro primeiros meses do ano - entre eles vários decapitados e mutilados -, metade do registrado em todo o ano de 2021.

rsr/pld/gm/mvv

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