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Presidente sul-coreano Moon encerra mandato marcado por fracassos

10:32 | Mai. 06, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, chegou ao poder com grandes promessas de paz com o Norte e de trabalhar por uma sociedade "igual e justa" no Sul, mas, cinco anos depois, não conseguiu cumpri-las - afirmam analistas.

Intermediadas por Moon, as negociações entre Washington e Pyongyang fracassaram, e a Coreia do Norte voltou a testar mísseis de longo alcance. Na semana passada, inclusive, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse que seu país está construindo seu arsenal nuclear "o mais rápido possível".

Internamente, a política habitacional de Moon fracassou, sua histórica legislação antidiscriminação nunca se materializou, e figuras importantes de seu partido se envolveram em escândalos sexuais e de subornos.

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A frustração com seu governo galvanizou uma oposição de direita à beira do precipício, dizem analistas, levando o conservador Yoon Suk-yeol a ser eleito em março. Ele assume a Presidência em 10 de maio.

"O principal legado de Moon será a eleição de Yoon como presidente", disse à AFP o professor de sociologia Gi-Wook Shin, da Universidade de Stanford.

Antifeminista declarado e falcão da segurança, Shin é a antítese de Moon. Suas ameaças de ataques preventivos contra a Coreia do Norte já conseguiram desfazer muitas das tentativas de seu antecessor de reaproximação com o Pyongyang.

De qualquer forma, a diplomacia de Moon já havia entrado em colapso, com Kim insinuando, recentemente, a ameaça de usar suas armas nucleares, declarou à AFP Cheong Seong-chang, do Instituto Sejong.

O mandato de Moon foi, porém, marcado por eventos históricos.

Em 2018, por exemplo, tornou-se o primeiro presidente sul-coreano a fazer um discurso ao público norte-coreano.

"Proponho que terminemos completamente os últimos 70 anos de hostilidade e demos um grande passo em direção à paz para nos tornarmos um novamente", declarou Moon, em um estádio lotado em Pyongyang, sendo aplaudido de pé.

Ele foi o único presidente sul-coreano a se reunir três vezes com seu colega norte-coreano. E foi mediador nas cúpulas históricas entre o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Kim.

Todos esses esforços entraram em colapso em 2019.

Desde então, Pyongyang classificou Moon como um "mediador intrometido", destruiu um escritório de ligação conjunto financiado por Seul na fronteira e, em março, fez um disparo de um míssil balístico intercontinental de pleno alcance pela primeira vez desde 2017.

Além disso, imagens de satélite indicam que o Norte está se preparando para retomar seus testes nucleares.

Moon "deu muito crédito à Coreia do Norte" em termos de compromisso e de construção da paz, de acordo com Soo Kim, da RAND Corporation.

"Kim nos mostrou que não pode ser convencido a desistir de suas armas de forma alguma, já que sua própria sobrevivência depende delas", comentou o analista, na entrevista à AFP.

"É difícil dizer se o legado de Moon com a Coreia do Norte terá algum impacto nas relações intercoreanas", acrescentou.

O presidente agora em final de mandato chegou ao poder depois que sua antecessora foi deposta em um escândalo que incluiu favores acadêmicos para a filha de uma assessora presidencial.

Em seu discurso de posse em 2017, ele prometeu que "as oportunidades serão iguais. O processo será justo e o resultado, correto".

Apesar da promessa, um de seus conselheiros, Cho Kuk, esteve envolvido em um escândalo de suborno, e Moon foi criticado por ter sido "muito tolerante" com seu então assessor.

Embora o governo Moon tenha administrado com competência a pandemia da covid-19, suas políticas habitacionais falharam, analisa June Park, economista política da Universidade de Princeton.

Suas tentativas de combater a desigualdade apenas contribuíram para aprofundá-la, com os preços dos apartamentos na capital subindo 120% desde que Moon chegou ao poder.

Sua política de aumentar os impostos para proprietários de vários imóveis não tinha sentido do ponto de vista econômico, de acordo com Park.

Como resultado da política habitacional de Moon, a vida do sul-coreano médio se tornou "palpavelmente mais difícil", reforça Sharon Yoon, professora de Estudos Coreanos da Universidade de Notre-Dame.

Ainda assim, sua popularidade continua forte na Coreia do Sul, com um índice de aprovação de 44%. Este percentual é quase o dobro de muitos outros presidentes no final de seus mandatos.

Foi insuficiente, contudo, para compensar a decepção de seus apoiadores com seus fracassos e conter o impulso da oposição conservadora, disse à AFP o professor de Estudos Coreanos Vladimir Tikhonov, da Universidade de Oslo.

"Foi uma presidência com muitas promessas no início, mas poucas promessas cumpridas no final", acrescentou.

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