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Caso do 'Beatle' do Estado Islâmico chega ao júri nos EUA

19:47 | Abr. 13, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Um júri iniciou as deliberações nesta quarta-feira (13) no julgamento de El Shafee el Sheikh, um ex-cidadão britânico que foi à Síria se unir ao grupo Estado Islâmico (EI) e supostamente se tornou um membro da notória célula de sequestro e assassinato conhecida como os "Beatles".

O procurador-adjunto Raj Parekh, ao encerrar suas alegações, disse que tinha sido demonstrado "para além de qualquer sombra de dúvida" que El Shafee el Sheikh era um dos sequestradores apelidados de os "Beatles" por seus prisioneiros devido a seu sotaque britânico.

A advogada de defesa, Nina Ginsberg, replicou que, embora o homem de 33 anos possa ter sido efetivamente combatente do EI, os promotores não tinham demonstrado que fora realmente um "Beatle".

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El Shafee el Sheikh, de quem a Grã-Bretanha retirou a nacionalidade, é acusado dos homicídios dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff, e dos trabalhadores humanitários Kayla Mueller e Peter Kassig.

Ele e os outros "Beatles" são suspeitos de envolvimento no sequestro na Síria de outros 20 jornalistas e trabalhadores humanitários de Europa, Rússia e Japão.

A questão da identificação pesou no julgamento de El Sheikh, de duas semanas de duração, em um tribunal federal da Alexandria, no estado da Virgínia (leste).

"Não há provas que vinculem o Sr. El Sheikh a nenhum dos locais nos quais os reféns estiveram retidos", disse Ginsberg.

A advogada destacou que não foi pedido a nenhum dos dez ex-reféns europeus e sírios que testemunharam sobre seu tratamento que identificassem o acusado no tribunal.

"O senhor El Sheikh não foi identificado nesta sala por nenhum dos ex-reféns", disse Ginsberg. "O que as pessoas provavelmente chamariam de elefante branco nesta sala".

Ela também disse que os "Beatles" eram responsáveis por atos "brutais" e "repugnantes", mas insistiu em que El Sheikh não era um deles.

"Podem considerá-lo culpado de fornecer apoio material a uma organização", disse Ginsberg a respeito de uma das acusações feitas contra El Sheikh.

"Mas para as outras acusações têm que descobrir que era um membro dos 'Beatles'", disse. "Sustentamos que não se pode".

Parekh, procurador-adjunto dos EUA, disse que, ao contrário, o governo tinha "provado além de qualquer sombra de dúvida que El Sheikh é um dos 'Beatles' do EI".

"Ele mesmo disse sem pudor", afirmou Parekh em alusão às entrevistas com os meios de comunicação reproduzidas para o júri de 12 pessoas nas quais El Sheikh descreveu suas interações com os reféns.

As entrevistas com veículos de comunicação ocidentais foram realizadas depois que El Sheikh e outro ex-cidadão britânico, Alexanda Amon Kotey, foram capturados por uma milícia curda na Síria em janeiro de 2018.

Eles foram entregues às forças americanas no Iraque e transferidos aos Estados Unidos em 2020 para enfrentar acusações de tomadas de reféns, conspiração para assassinar cidadãos americanos e apoio a uma organização terrorista.

Kotey se declarou culpado em setembro de 2021 e enfrenta a prisão perpétua.

Nas entrevistas, El Sheikh admitiu ter pego endereços de e-mail e provas de vida dos reféns e, inclusive, tê-los agredido.

Ginsberg disse que El Sheikh era um "homem partido" naquele momento e que só fez aquilo para evitar ser enviado ao Iraque, onde teria enfrentado um julgamento sumário e a execução.

Queria ser enviado à Grã-Bretanha ou aos Estados Unidos, "onde poderia ter um julgamento justo", disse.

Foley, Sotloff e Kassig foram decapitados por Mohamed Emwazi, conhecido como "Jihadi John", e o EI difundiu vídeos das mortes com fins propagandísticos.

Mueller foi retida inicialmente pelos "Beatles", mas depois foi entregue ao líder do EI, Abu Bakr al Bagdadi, que supostamente a violentou em reiteradas ocasiões.

O grupo Estado Islâmico anunciou a morte de Mueller em fevereiro de 2015 e disse que tinha morrido em um ataque aéreo jordaniano, uma afirmação debatida pelas autoridades americanas.

Bagdadi morreu durante uma incursão das forças especiais americanas em 2019. Emwazi foi morto por um drone americano na Síria em 2015.

Em seu argumento final, Parekh disse ao júri que o governo tinha demonstrado que El Sheikh, Kotey e Emwazi "cresceram juntos, se radicalizaram jutos, lutaram como combatentes de alto nível do EI juntos e torturaram e aterrorizaram os reféns juntos".

"O que estes horríveis crimes deixaram é um legado de assassinatos brutais e famílias destroçadas", disse, pedindo ao júri que emitisse um veredicto de culpa em todas as acusações.

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