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Guerra acabará com o regime de Putin, diz ex-aliado

Nos últimos pacotes de sanções, os EUA e a União Europeia impuseram restrições a empresários, empresas e funcionários russos próximos a Putin
08:48 | Mar. 18, 2022
Autor Agência Estado
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Mikhail Khodorkovski, um dos maiores críticos do presidente russo, Vladimir Putin, declarou que os ataques à Ucrânia "reduziram" as chances de o líder russo permanecer no poder por mais um longo período de tempo. Putin está na presidência da Rússia desde 2012, mas já havia ocupado o cargo anteriormente, entre 2000 e 2008, e comandado o país indiretamente nesse intervalo.

"Estou convencido de que Putin não tem muito tempo. Talvez um ano. Talvez três", disse Khodorkovski, em entrevista à CNN. "Hoje não estamos mais pensando que ele estará no poder por mais uma década, como nós pensávamos uma semana atrás."

Para Khodorkovski, a única forma de deter Putin é bloquear os fluxos financeiros da Rússia. "O golpe no sistema financeiro foi enorme, mas, no momento, apenas 70% dos fluxos de caixa foram bloqueados", disse. Ele defendeu que os outros 30% também devam entrar na restrição e "não deva haver exceções".

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Nos últimos pacotes de sanções, os EUA e a União Europeia impuseram restrições a empresários, empresas e funcionários russos próximos a Putin, com o objetivo de atingi-lo. Mas, para Khodorkovski, esses aliados do presidente russo não são um problema. "Esses oligarcas são apenas criados de Putin. Eles não podem influenciá-lo. Mas Putin pode influenciá-los. Eles também devem ser bloqueados."

Khodorkovski foi CEO da petrolífera russa Yukos, o que o tornou, temporariamente, o homem mais rico da Rússia em 2003, com um patrimônio líquido de US$ 15 bilhões. O empresário estava detido desde outubro de 2003, após ser acusado de fraude e sonegação de impostos. Sua condenação chegou em 2005, com a pena de 9 anos de prisão.

Antes de sua detenção, Khodorkovski tinha se desentendido com Putin, após o presidente cortar as asas de ricos "oligarcas" que se tornaram poderosos durante os anos caóticos do governo de Boris Yeltsin, após o colapso da União Soviética. Assim, apoiadores do empresário diziam que sua prisão havia sido parte de uma campanha do Kremlin para puni-lo por desafiar Putin, além de tomar o controle de seus ativos de petróleo e obrigar outros magnatas a andarem na linha. Com sua prisão, a Yukos foi dividida e vendida, principalmente para o Estado.

No início de 2013, Khodorkovski foi perdoado por Putin. Na época, em um decreto presidencial, Putin disse que a decisão de conceder o indulto ao empresário foi "guiada pelos princípios da humanidade". Hoje, Khodorkovski vive exilado em Londres.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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