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Exército russo em busca de vitórias na Ucrânia

06:58 | Mar. 18, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O exército russo encontrou uma resistência inesperada na Ucrânia, que frustrou suas expectativas de conquistar rapidamente grandes áreas de território e atrasou seu avanço, mas continua buscando vitórias que devolvam algum brilho às tropas e permitam que o país tenha uma posição de força em eventuais negociações.

Muitos analistas ocidentais afirmam que os russos fracassaram na tentativa de alcançar uma vitória rápida porque subestimaram a resistência do inimigo e não levaram em consideração as necessidades logísticas de suas tropas em uma guerra de longa duração.

"A falta de eficácia do poder bélico da Rússia e o vigor da resistência militar ucraniana são uma verdadeira surpresa', destacam Philippe Gros e Vincent Tourret em um relatório da Fundação para a Pesquisa Estratégica (FRS, na sigla em francês).

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Sem conquistar a superioridade aérea após a invasão do país em 24 de fevereiro, os russos não conseguiram executar nenhuma operação importante desde o início de março e enfrentam uma defesa ucraniana intensa ao redor de Kiev e em outras cidades.

"A invasão russa está em ponto morto em todas as frentes", afirmou na quinta-feira o ministério da Defesa britânico em um resumo de situação.

Os russos cercaram e cortaram o abastecimento de várias cidades no nordeste (Sumy, Kharkiv), no sudeste (Mariupol) e bombardeiam Kiev com frequência, mas ainda não conseguiram cercar a capital.

Tomar esta cidade de 2,8 milhões de habitantes "exigiria provavelmente de 150.000 a 200.000 homens", afirmaram os especialistas da FRS, ao recordar que em uma cidade a vantagem é sempre do defensor.

Apesar das dificuldades, "a superioridade militar russa não está em dúvida", destaca uma fonte militar ocidental. "A pausa operacional que observamos permite a recuperação das forças russas, a mobilização de reforços, o início de uma segunda fase", acrescenta.

De acordo com o Pentágono, os 150.000 militares russos mobilizados para o conflito estão em território ucraniano. E as perdas são elevadas. Estimativas da inteligência americana citadas pelo jornal New York Times afirmam que Moscou teria perdido 7.000 soldados, o que representa mais de 300 mortos por dia no campo de batalha.

Embora seja necessário examinar os números com cautela, o exército russo precisa se regenerar, após três semanas de campanha.

As autoridades russas, que prometeram que não recorreriam a recrutas, convocaram os reservistas e iniciaram uma campanha de recrutamento entre os sírios.

Do outro lado, as forças ucranianas também registram perdas, mas com uma defesa antiaérea bem-sucedida. Além disso, o exército do presidente Volodymyr Zelensky se beneficia de um grande fornecimento de armas antitanques e mísseis antiaéreos de vários países da Otan.

"Os próximos 10 dias serão decisivos", afirma o general americano da reserva Ben Hodges, do Centro de Análises de Políticas Europeias (CEPA), com sede em Washington.

Quais os cenários mais prováveis do lado russo nas próximas semanas?

Segundo o historiador militar francês Michel Goya, há "dois pontos possíveis de desbloqueio a curto prazo: em Mariupol e diante do exército ucraniano de Donbass".

De acordo com o Estado-Maior francês, os russos também poderiam tentar cercar os 40.000 soldados ucranianos destacados na frente leste, tomando a cidade de Dnipro, um "lugar estratégico entre o oeste e o leste".

"Isto permitiria dividir o exército ucraniano, faz muito sentido a nível militar, para provocar seu colapso ou estar em posição de força nas negociações", afirma o coronel Pascal Ianni.

Outra hipótese tem relação com Mariupol. A estratégica cidade portuária localizada às margens do Mar de Azov está cercada há mais de duas semanas, com bombardeios constantes.

Apesar da retirada de 20.000 civis no início da semana, 300.000 pessoas permanecem bloqueadas na cidade, sem energia elétrica ou água corrente.

Tomar o controle de Mariupol permitiria aos russos estabelecer uma continuidade geográfica entre os territórios separatistas pró-Moscou no Donbass e a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

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