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Reputação de Angela Merkel manchada pela invasão russa à Ucrânia

12:35 | Mar. 12, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Até pouco tempo atrás, era aplaudida por muitos como uma das maiores dirigentes europeias do pós-guerra. Porém, nos últimos dias, a política da ex-chanceler alemã Angela Merkel está sendo analisada e criticada devido à sua proximidade com a Rússia.

Considerada por alguns meios como "a dirigente do mundo livre" após a eleição do controverso Donald Trump em 2016, a ex-chefe de governo de centro-direita está sendo acusada, estes dias, de ter aumentado a dependência da Europa em relação à energia russa e de não ter investido o suficiente em Defesa.

A política, que ficou no poder por quase 20 anos, apostava nos contratos comerciais para democratizar e ganhar a confiança de regimes autoritários como os da Rússia e da China. Foi um "erro", aponta o diário Die Welt.

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"O que a Alemanha e Europa têm vivido estes últimos dias não é nada mais nada menos que uma derrocada da política de Merkel, que consistia em garantir a paz e a liberdade por meio de tratados com déspotas", acrescenta o jornal de viés conservador.

Na última década, a dependência energética da Alemanha em relação à Rússia passou de 36% das importações totais de gás em 2014 para 55% hoje em da.

Por isso, a maior economia europeia se manifestou contrariamente aos pedidos dos países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, de impor um embargo ao petróleo e ao gás russos, cruciais para satisfazer suas necessidades energéticas.

Do ponto de vista militar, o exército alemão adoece há anos de um hipofinanciamento crônico. Seus aliados, sobretudo os Estados Unidos, há tempos pedem aos alemães para que cumpram com os objetivos de gastos de defesa fixados pela OTAN (2% do PIB nacional).

A ex-ministra da Defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer, do círculo próximo de Merkel, reconheceu o "fracasso histórico" de seu pais na hora de reforçar o exército.

"Após Geórgia, Crimeia e Donbass, não preparamos nada que pudesse dissuadir verdadeiramente Putin", tweetou não faz muito tempo.

O antecessor de Merkel, o social-democrata Gerhard Schröder, inaugurou a via para uma maior dependência da energia russa ao colocar em construção o gasoduto Nord Stream 1, porém foi a ex-chanceler que autorizou o Nord Stream 2.

Esse controverso segundo gasoduto de 10 bilhões de euros devia duplicar a capacidade de abastecimento de gás russo para a Alemanha. Causou polêmica porque evita de passar pela Ucrânia, o que priva o país de receber os direitos de trânsito.

Por causa da invasão russa na Ucrânia, foi suspenso indefinidamente.

Merkel "deve assumir sua parte de responsabilidade em seu afã por buscar relações econômicas estreitas com a Rússia", pois isso fez a Alemanha ser mais dependente dos russos em matéria de energia, aponta o jornal Süddeutsche Zeitung.

"Agora estamos vivendo as consequências desse erro terrível", acrescenta.

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