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Blinken diz que novas exigências russas sobre acordo nuclear com Irã são 'irrelevantes'

16:47 | Mar. 06, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, descartou neste domingo (6) como "irrelevantes" as exigências russas de garantias de que novas sanções ligadas à Ucrânia não afetariam os direitos de Moscou, em meio à reformulação do acordo nuclear com o Irã.

As sanções à Rússia pela invasão da Ucrânia "não têm nada a ver com o acordo nuclear com o Irã", disse Blinken ao programa da CBS "Face the Nation". As sanções "simplesmente não estão ligadas de forma alguma, então acho que isso é irrelevante", completou.

Com partes do acordo com o Irã - que os Estados Unidos abandonaram em 2018 - agora aparentemente perto de um novo acordo, Blinken rejeitou novas demandas russas cogitadas pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, no sábado.

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Blinken considerou que não era apenas do interesse dos Estados Unidos, mas também da Rússia, que o Irã não fosse capaz de "ter uma arma nuclear ou a capacidade de produzir uma em muito, muito pouco tempo".

As últimas exigências russas ocorrem em meio à crise decorrente da invasão da Ucrânia, ameaçando as esperanças de que um acordo com o Irã seja alcançado rapidamente.

O Irã e o órgão de vigilância nuclear das Nações Unidas anunciaram no sábado que concordaram com uma reaproximação para resolver questões cruciais para reviver o acordo de 2015 com as potências mundiais.

Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), declarou em Viena que, embora a agência das Nações Unidas e o Irã ainda tenham "um número importante de questões" para resolver, "decidiram tentar uma abordagem pragmática" para superar as dificuldades.

No entanto, acrescentou Rossi, não há "prazo artificial".

Autoridades dos EUA e do Reino Unido sinalizaram no final da semana que as negociações em Viena estavam perto de um possível acordo, alertando que algumas questões ainda precisam ser resolvidas.

Mas Lavrov, o chanceler da Rússia, enfatizou no sábado que Moscou foi alvo de severas sanções por sua invasão da Ucrânia e precisava de garantias escritas antes de apoiar um novo acordo nuclear.

Nesse sentido, Lavrov solicitou que as sanções relacionadas à Ucrânia "não afetem de forma alguma nossos direitos para o desenvolvimento livre e completo do comércio, investimento e cooperação econômica, técnica e militar com o Irã".

A Rússia faz parte das negociações em Viena, juntamente com o Reino Unido, China, França e Alemanha. Os Estados Unidos participam indiretamente.

Espera-se que Moscou desempenhe um papel importante na implementação de um novo acordo com o Irã, por exemplo, recebendo carregamentos de urânio enriquecido iraniano.

O acordo buscava impedir que Teerã desenvolvesse uma arma nuclear, algo que o país sempre negou ter como objetivo.

O Irã disse nesta semana que está pronto para aumentar rapidamente suas exportações de petróleo para os níveis pré-sanção assim que o acordo for assinado.

Fayaz Zahed, analista de relações internacionais iranianas, disse que o governo precisa ter muito cuidado com a possível mudança de interesses de Moscou.

"Agora que a Rússia está sob sanções, talvez não esteja mais interessada em resolver a questão nuclear iraniana, uma posição que pode ser muito prejudicial", disse o especialista.

Os próximos dias são fundamentais devido à velocidade com que o Irã está avançando em questões nucleares.

Seu estoque de urânio enriquecido é agora cerca de 15 vezes o limite estabelecido no acordo de 2015, segundo dados divulgados pela AIEA esta semana.

bbk/mlm/cjc/llu/am

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