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Biden chama Putin de "ditador" e afirma que americanos estão ao lado do povo ucraniano

Além da figura de presidente unificador, Biden se apresentou como defensor das oportunidades para as minorias e protetor dos menos favorecidos
05:00 | Mar. 02, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Joe Biden se apresentou como um presidente unificador e líder do mundo livre contra Vladimir Putin, a quem chamou de "ditador russo" que subestimou a resposta do Ocidente à invasão da Ucrânia, em seu primeiro discurso sobre o Estado da União.

"Por favor, levantem, se possível, e demonstrem que sim, nós, Estados Unidos, estamos com o povo ucraniano", começou o discurso, quase uma semana depois da invasão da Rússia à Ucrânia e depois de conversar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que pediu por ajuda para "frear o agressor o quanto antes".

Para Biden, Putin é "um ditador russo, que invade um país estrangeiro".

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"Ao longo de nossa história aprendemos esta lição: quando os ditadores não pagam o preço de sua agressão, eles provocam mais caos", afirmou, em referência ao presidente russo, que rejeitou o diálogo e ignorou as advertências.

Depois de um esforço de várias semanas para unificar os aliados ocidentais em torno de sanções econômicas sem precedentes contra a Rússia e um fluxo de ajuda militar para a Ucrânia, que não é membro da Otan, Biden apresentou um cenário do que, em suas palavras, representa uma liderança global revitalizada dos Estados Unidos.

O presidente russo "rejeitou os esforços diplomáticos. Pensou que o Ocidente e a Otan não responderiam. E pensou que poderia nos dividir aqui em casa. Mas Putin estava errado. Estávamos prontos".

"Na batalha entre democracia e autocracia, as democracias estão à altura das circunstâncias e o mundo está claramente escolhendo o lado da paz e da segurança", destacou.

"Putin está isolado como jamais esteve", disse Biden. "Não tem ideia do que se aproxima", acrescentou, em referência às sanções econômicas que continuam sendo anunciadas, à medida que os tanques russos prosseguem o avanço em direção a Kiev. 

As sanções também têm consequências no Ocidente, pois a Rússia é um grande produtor de petróleo e gás.

Quase 30 países alcançaram um acordo para "liberar 60 milhões de barris de petróleo das reservas em todo o mundo", dos quais os Estados Unidos participarão com 30 milhões para estabilizar o mercado, anunciou o presidente aos americanos, preocupados com uma guerra que provocou a disparada dos preços dos combustíveis.

E Putin não é o único alvo do Ocidente. O democrata também criticou o círculo de governo russo, os oligarcas e os "líderes corruptos" que, segundo Biden, desviaram bilhões de dólares. O presidente americano advertiu eles ficarão "sem os seus iates, apartamentos de luxo e aviões privados.

A embaixadora da Ucrânia em Washington, Oksana Markarova, assistiu ao discurso como convidada da primeira-dama, Jill Biden, e foi aplaudida de pé.

Biden, no entanto, voltou a repetir que as tropas americanas "não estão envolvidas e não participarão" na guerra na Europa.

Questões internas 

Após o início sobre a Ucrânia, o democrata passou a abordar as questões domésticas. O presidente de 79 anos enfrenta vários desafios políticos em casa, que mencionou e para os quais apresentou possíveis soluções, consciente de que sua popularidade está em queda nas pesquisas após 14 meses no cargo, ao redor de 40%.

Apesar da economia forte, a inflação no país é a maior em quatro décadas. "Minha prioridade é controlar os preços", disse, em um país em que as votações são decididas pelos temas econômicos e a poucos meses das eleições de meio mandato nas quais os republicanos, ainda sob forte influência de seu antecessor Donald Trump, podem conquistar a maioria no Congresso.

Ele pediu a redução do preço dos medicamentos, sobretudo da insulina, que é usada por Joshua Davis, um adolescente com diabetes para o qual pediu aplausos durante o discurso.

Também prometeu reduzir o déficit e ter mais produtos "feitos nos Estados Unidos para não ficar à mercê das redes de abastecimento estrangeiras".

Enumerando temas de sua agenda presidencial, Biden afirmou que a resposta "não é retirar fundos da polícia, e sim financiá-la", ao comentar a questão da violência em algumas cidades.

Ao falar sobre a migração ao longo da fronteira sul, por onde chegam centenas de milhares de migrantes, muitos deles da América Central, ele pediu ao Congresso que aprove a reforma migratória "de uma vez por todas" porque não é apenas a coisa certa a fazer, mas o que é"economicamente inteligente".

Além da figura de presidente unificador, Biden se apresentou como defensor das oportunidades para as minorias e protetor dos menos favorecidos, como os menores transgêneros, contra os quais alguns estados conservadores adotam medidas contrárias aos processos médicos seguidos por alguns deles.

O democrata também tentou levantar a moral dos americanos, deprimidos pela pandemia. "A covid-19 não deve mais controlar nossas vidas", afirmou aos congressistas sem máscaras, após a flexibilização das medidas sanitárias.

E não evitou temas polêmicos, incluindo o direito ao aborto, que voltou a defender, apesar de ser um católico praticante.

O objetivo de Biden: recuperar o brilho perdido pelo desgaste no poder, unir seus eleitores e levar ânimo à população. Tudo em apenas uma hora.

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